Venezuela: Quatro partidos opositores querem terminar com o “governo interino” de Juan Guaidó
Quatro partidos opositores anunciaram que a maioria dos deputados oposicionistas querem terminar com o “governo interino” de Juan Guaidó, que em 2019 jurou assumir as funções de presidente da Venezuela até afastar Nicolás Maduro do poder. O anúncio foi feito quarta-feira durante uma conferência de imprensa em Caracas, em que o porta-voz de Ação Democrática, Primeiro Justiça, Um novo Tempo e Movimento pela Venezuela, Alfonso Marquina leu um comunicado assinado por 69 dos 112 deputados opositores, entre eles, o luso-descendente Manuel Teixeira. “Após quatro anos, o processo que começou em 23 de janeiro de 2019, foi enfraquecido e não é percebido como uma opção de mudança. Não pode ser que uma estratégia cada vez mais debilitada, que não tenha atingido os seus objetivos, pretendamos perpetuá-la”, disse Alfonso Marquina. A proposta de eliminação do “governo interino”, disse, será feita esta quinta-feira durante uma sessão da Assembleia Nacional eleita em 2015 (que ao finalizar o mandado declarou continuar em funções), porque “a figura do governo interino não ajuda a conseguir os objetivos do povo”, “o país reclama novos caminhos que levem à democracia”, sendo necessário que a oposição abra caminho para novas estratégias. Segundo Marquina, a maioria dos deputados opositores vai propor eliminar a “presidência encarregada” e todos os seus órgãos e disposições (textos aprovados) com exceção dos que estão relacionados com a defesa dos ativos da Venezuela no estrangeiro, principalmente as administrações “ad hoc” da Pdvsa Holding (filial da petrolífera estatal) e do Banco Central da Venezuela. Por outro lado, a oposição quer criar reformar o “estatuto de transição” aprovado após a ajuramentação de Juan Guaidó, para manter ativo o parlamento opositor (que não reconhece as últimas eleições legislativas nem o parlamento de 2021 em que o chavismo é maioria) e para criar um conselho de administração e de proteção de ativos que atuará como uma “comissão executiva”. “O governo interino não é a razão de ser da luta democrática, foi um instrumento necessário, em seu momento (…) todos temos que assumir responsabilidades”, frisou aquele responsável. Disse ainda que o opositor Juan Guaidó deixaria de ser “o presidente interino da Venezuela” para voltar a ser deputado, tal como alguns companheiros que se encontram em funções, em sua representação, no estrangeiro. O partido Vontade Popular, ao qual pertenceu Juan Guaidó, já acusou os outros partidos opositores de estarem a legitimar o Governo de Nicolás Maduro e de tentarem “matar” politicamente o líder opositor, com fins eleitoralistas, uma vez que a oposição se prepara para ir a eleições primárias para eleger um candidato unitária para competir com Nicolás Maduro nas presidenciais previstas para 2024. A posição daqueles partidos opositores contra o “governo interino” surge depois de Juan Guaidó ter convocado para 22 de dezembro uma sessão extraordinária da oposição para conseguir “o consenso sobre prolongar a vigência do Estatuto de Transição que refe o governo encarregado” e a continuidade do parlamento opositor, que há um ano a oposição decidiu que continuaria a funcionar até 4 de janeiro de 2023. Segundo diversas ONG e organismos internacionais, nos últimos cinco anos, mais de sete milhões de venezuelanos abandonaram o país, fugindo da crise política, económica e social que afeta a Venezuela.