Crise/Inflação: Estado grego assume 10% do cabaz de compras do cidadão durante 6 meses
O Estado grego vai assumir durante seis meses 10% do custo do cabaz de compras de cada cidadão, uma medida anunciada hoje pelo primeiro-ministro do país, o conservador Kyriakos Mitsotakis, durante o debate orçamental para 2023. Segundo Mitsotakis, a medida vai custar cerca de 650 milhões de euros e será totalmente financiada através da taxa que a Grécia aplicou aos lucros extraordinários que as refinarias têm obtido devido ao aumento dos preços dos combustíveis. Esta nova medida será aplicada a todas as compras de alimentos, independentemente de serem feitas na grande distribuição ou no pequeno comércio. Esta é a segunda iniciativa aprovada pelo Governo grego para conter o impacto da inflação nas compras de alimentos, depois de, em novembro, ter flexibilizado o preço de 51 produtos básicos nas principais redes de supermercados. A proposta orçamental do Governo grego prevê uma inflação de 10% em 2022, como consequência da guerra na Ucrânia, estimando que em 2023 seja reduzida para metade. Segundo os cálculos do Ministério das Finanças grego, o crescimento económico do país vai abrandar em 2023 para 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB), depois de um aumento de 5,6% este ano. O Governo de Mitsotakis espera um tímido excedente em 2023 (excluindo os juros da dívida) de 0,7% do PIB, após um défice de 1,6% estimado para este ano. Já a dívida pública continuará a cair, passando de 168,9% do PIB em 2022 para 159,3% em 2023, segundo as previsões do executivo. O Orçamento do Estado para 2023, aprovado com a maioria absoluta da conservadora Nova Democracia, contempla receitas no valor de 62.139 milhões de euros (face a 60.359 milhões em 2022) e despesas de 69.945 milhões de euros (71.802 milhões em 2022).