África do Sul concede liberdade condicional a assassino de ícone anti-'apartheid'
O supremacista branco Janus Waluz, condenado pelo assassínio do líder sul-africano anti-‘apartheid’ Chris Hani, foi hoje libertado da prisão após ter cumprido mais de 28 anos de pena pelo crime cometido em 1993, anunciou fonte oficial. Janusz Walus, de 69 anos, foi colocado em liberdade condicional a partir de hoje depois de ter tido alta da ala hospitalar da prisão, na capital, Pretória, segundo o ministro da Justiça e dos Serviços Correcionais, Ronald Lamola. Poucas horas após as autoridades sul-africanas terem confirmado a sua iminente libertação condicional na semana passada, Walus foi esfaqueado por um colega de prisão, dois dias antes de ser libertado. A sua liberdade condicional segue-se a uma sentença do Tribunal Constitucional que afirmou que a decisão do ministro de rejeitar a liberdade condicional foi irracional. "O ofensor Walus só teve alta do hospital hoje, uma vez que tem estado a receber tratamento depois de ter estado envolvido num incidente de esfaqueamento. Ele cumprirá dois anos sob correções comunitárias, de acordo com o regime de liberdade condicional em que for libertado", disse hoje Lamola, numa declaração. "Ao negar-lhe anteriormente a liberdade condicional, a decisão não foi no espírito de vingar um baluarte da nossa luta de libertação, mas esteve sempre no contexto de dar efeito aos interesses da justiça, na perspetiva do que o tribunal procurou alcançar", disse. A decisão de libertar Walus foi fortemente condenada pelos apoiantes de Hani, incluindo o partido governante Congresso Nacional Africano e o Partido Comunista Sul-Africano, em que desempenhava o cargo de secretário-geral quando foi morto. Os apoiantes de Hani organizaram manifestações, em Pretória, na prisão de Kgosi Mampuru na semana passada, acusando Walus de não mostrar remorsos e de não revelar todos os detalhes sobre o assassínio de Hani. Os manifestantes pediram que a sua liberdade condicional fosse revista. Hani foi morto durante um período volátil antes da transição da África do Sul do domínio da minoria branca para a democracia. O seu assassínio quase mergulhou o país em mais violência política. Walus, cuja cidadania foi revogada pela África do Sul em 2017, foi condenado à morte juntamente com o político sul-africano de direita Clive Derby-Lewis, embora as sentenças tenham sido comutadas para prisão perpétua quando a África do Sul aboliu a pena de morte em 1995. Derby-Lewis, que morreu em novembro de 2016, opôs-se ao fim do apartheid - o regime de segregação racial - na África do Sul, e esteve envolvido na conspiração para assassinar Hani - que chefiou a ala militar do Congresso Nacional Africano, na altura liderado por Nelson Mandela - com o objetivo de desencadear uma onda de violência. Esse objetivo foi contrariado por Nelson Mandela, que apelou à calma para evitar uma escalada da agitação e pressionou o então Presidente, Frederik Willem de Klerk, a fixar uma data para as eleições, em que Mandela e Congresso Nacional Africano acabaram por chegar ao poder em 1994.