Irão: Paramilitar morto e vários polícias feridos em confrontos perto de Teerão
Um paramilitar foi morto e 10 agentes da polícia e um clérigo ficaram hoje feridos em violentos confrontos com manifestantes no oeste de Teerão, de acordo a comunicação social oficial iraniana. Hoje comemora-se o 40º dia de luto tradicional após a morte de Hadis Najafi, um manifestante de 22 anos morto durante um protesto a 21 de Setembro em Karaj, 30 quilómetros a oeste da capital. Najafi morreu quando participava em protestos pela morte a 16 de setembro da Mahsa Amini, jovem que estava então sob detenção da 'polícia da moralidade', acusada de não ter o véu islâmico colocado devidamente. Segundo a agência oficial Irna, pelo menos um membro da Bassidj, milícia paramilitar ligada aos Guardas Revolucionários, o exército ideológico do Irão, foi morto e dez polícias ficaram feridos nos confrontos com manifestantes durante a homenagem de hoje a Najafi. De acordo com os meios de comunicação social oficiais, os "bandidos" aproveitaram a cerimónia de luto para provocar "tumultos" e atacar as forças de segurança com facas e pedras. As autoridades impediram os manifestantes de chegar ao cemitério e a comemoração do luto pela jovem transformou-se em novos confrontos com a polícia e milícias Basiji, que utilizaram gás lacrimogéneo e força contra os manifestantes. A agência noticiosa Fars disse que o paramilitar Rouhalah Ajami, de 24 anos, foi atacado com uma faca e pedras e o seu corpo foi encontrado na berma da estrada. Segundo as mesmas fontes oficiais, os manifestantes bloquearam também o trânsito na auto-estrada Karaj-Ghazvin e foi utilizado um helicóptero de resgate para transportar os polícias feridos. Na auto-estrada, os manifestantes forçaram um clérigo a sair do seu carro e atacaram-no com uma faca, de acordo com a Fars. Os agressores tinham bloqueado a autoestrada, incendiando pneus e destruindo os sinais rodoviários onde a autoestrada passa junto ao cemitério, adiantou a agência noticiosa Mehr. Segundo um oficial de segurança de Karaj citado pela agência Mehr, os agressores danificaram carros e as forças de segurança efetuaram várias detenções, tendo ao início da noite a situação regressado ao normal. Vídeos não verificados partilhados nas redes sociais mostraram os manifestantes à volta de um carro em chamas numa estrada bloqueada onde se ouvem mulheres e jovens a gritar "mulheres, vida, liberdade!", um dos slogans dos protestos antigovernamentais, e ativistas relataram que a polícia disparou contra os manifestantes. As imagens são semelhantes às vistas na homenagem aos 40 dias da morte de Amini, a 26 de outubro na cidade do Curdistão de Saqez, de onde era originária a jovem de 22 anos. Pelo menos 10.000 pessoas participaram na homenagem, na qual a polícia utilizou gás lacrimogéneo e, de acordo com ONG estrangeiras, disparou mesmo contra a multidão. As mobilizações têm vindo a evoluir desde o seu início e o seu epicentro são as universidades, que nos últimos dias têm sofrido uma intensificação da repressão. Pelo menos 108 pessoas morreram nos protestos e 12.500 foram presas, de acordo com a organização Iran Human Rights, com sede em Oslo.