2022-10-25 18:24:00 Jornal de Madeira

Reino Unido/Crise: Suella Braverman reconduzida no Interior uma semana após demissão

O novo primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, reconduziu hoje a Suella Braverman como ministra do Interior Suella Braverman, que há menos de uma semana se demitiu do cargo, contribuindo para o afastamento da ex-chefe do Governo, Liz Truss. Francófona que estudou em Paris, a ex-advogada de 42 anos, de origem indiana, deixou o Governo na última quarta-feira, oficialmente por ter enviado documentos oficiais da sua conta pessoal de e-mail. Mas, de acordo com a imprensa britânica, a demissão mascarou fortes desentendimentos com Truss sobre a questão da imigração, assunto sobre o qual Braverman tem uma posição muito dura, sendo considerada “eurofóbica e anti-imigração”. Durante a conferência anual do Partido Conservador, no início deste mês, Braverman disse que era seu "sonho" e "obsessão" ver um dia um avião cheio de requerentes de asilo a levantar voo com destino ao Ruanda, para onde o Reino Unido espera mudar o processamento dos pedidos. Apostando num elenco governamental variado, mas com aliados nos postos chave, Sunak procura fomentar a unidade dentro do partido e no Governo, tendo nomeado ministros representativos das diversas fações partidárias, com poucas mulheres nas principais pastas. Nesse sentido, Sunak decidiu manter em funções o ministro das Finanças, Jeremy Hunt, nomeado em meados de outubro para acalmar a turbulência financeira causada pelo programa económico da anterior chefe do Governo. Político 'calejado', com experiência à frente das pastas da Saúde e Negócios Estrangeiros, Hunt, de 55 anos, cancelou poucos dias após entrar em funções quase todos os cortes fiscais que tinham sido anunciados pelo governo de Truss. O ministro recuou também na promessa de não serem feitos cortes na despesa pública e antecipou "muitas decisões difíceis" para poupar milhares de milhões de libras, fazendo surgir receios de um regresso a políticas de austeridade.  Um plano fiscal a médio prazo está agendado para ser apresentado por Hunt no parlamento a 31 de outubro.  Sunak, defensor do Brexit, nomeou também hoje como vice-primeiro-ministro e ministro da Justiça o antigo chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, que foi seu aliado nas eleições primárias dos conservadores, primeiro para suceder a Boris Johnson quando este se demitiu a 07 de julho, e depois a Truss, que anunciou a renúncia na passada quinta-feira. Sunak também manteve James Cleverly, que já fora nomeado por Truss, à frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros, bem como Ben Wallace na Defesa, enquanto Grant Shapps vai tutelar a pasta dos Assuntos Empresariais. Nadhim Zahawi, que desempenhou cargos ministeriais nos executivos de Johnson e de Truss, foi nomeado ministro sem pasta. Sunak prometeu hoje corrigir os “erros cometidos” por Truss, colocando a “estabilidade económica” no centro de um governo que quer liderar com “integridade, profissionalismo e responsabilidade”.  Num discurso no exterior da residência oficial, em Downing Street, após ser indigitado pelo Rei Carlos III, Sunak assumiu que foram cometidos “alguns erros” e que foi eleito "em parte para os corrigir”. Sunak prometeu "colocar a estabilidade económica e a confiança no centro da agenda deste governo” e isso, avisou, "significará tomar decisões difíceis”.  Nesse sentido, foram anunciadas as demissões dos ministros Jacob Rees-Mogg (Economia), Simon Clarke (Igualdade), Ranil Jayawardena (Ambiente) e Chloe Smith (Trabalho), entre outros. Rishi Sunak é o terceiro primeiro-ministro britânico desde o início do ano e o quinto a ocupar ao cargo em seis anos.  Descendente de imigrantes indianos, é também o primeiro líder de ascendência asiática da história do Reino Unido e o primeiro praticante da religião hindu.  Sunak, de 42 anos, é ainda o líder britânico mais jovem em mais de 200 anos, um ano mais novo do que David Cameron em 2010 e Tony Blair em 1997. Foi escolhido líder do Partido Conservador depois de se ter tornado o único candidato a reunir os 100 apoios requeridos de colegas deputados. 

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