Ucrânia: Zelensky diz que Rússia pretende “quebrar” resistência ucraniana no inverno
Moscovo espera “quebrar” a resistência ucraniana no inverno ao beneficiar com os problemas de aquecimento na Ucrânia e um eventual enfraquecimento do apoio ocidental devido ao aumento dos preços da energia na Europa, advertiu hoje o Presidente ucraniano. “A Rússia fará tudo para quebrar a resistência da Ucrânia, da Europa e do mundo durante os 90 dias deste inverno”, declarou Volodymyr Zelensky no decurso do Fórum internacional anual Yalta European Strategy (YES) em Kiev. “É o seu último argumento”. “A brutalidade do inverno deverá ajudar quando não for suficiente a brutalidade do homem”, acrescentou, num momento em que foram anunciados importantes avanços territoriais do exército ucraniano no leste do país. O líder ucraniano admitiu que a Rússia poderá atingir com os seus ataques “empresas e infraestruturas que asseguram o aquecimento na Ucrânia”, e apelou ao Ocidente para fornecer a Kiev novos sistemas de defesa antiaérea. Para Zelensky, Moscovo também poderá “reduzir a zero” as suas entregas de gás à Europa com o objetivo de forçar as capitais ocidentais a procurar compromissos com Moscovo. “Devemos preparar as nossas sociedades (…). O inverno será duro para todos, da Letónia à Polónia, do Reino Unido aos Estados Unidos”, disse ainda Zelensky. “Devemos sobreviver a este inverno”, acrescentou. Apelou ainda aos ocidentais para permanecerem unidos face à Rússia e alertou para a “fadiga” face à guerra na Ucrânia. “Deve ser mantido o apoio à Ucrânia nesta guerra”, sublinhou, referindo: “Temos necessidade de coisas concretas: armas, mísseis, apoio financeiro e político”. “Não esperem que digamos ‘basta'. Não haverá ‘basta’ enquanto não vencermos”, frisou Zelensky. Por fim, insurgiu-se contra as tentativas de setores ocidentais em “pressionarem” Kiev a promover compromissos com Moscovo. “Não podemos parar. É a minha mensagem principal a (...) alguns líderes que nos apertam o braço”, declarou Zelenky, e quando a Ucrânia, segundo o Governo local, depende da ajuda ocidental em 40% do seu orçamento militar. De acordo com um ‘site’ de informação ucraniano, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, invocou a hipótese de um reinício das negociações de paz com Moscovo no decurso do seu encontro com Zelensky na quinta-feira em Kiev, mas liminarmente rejeitado pelas autoridades ucranianas. A ofensiva lançada em 24 de fevereiro na Ucrânia causou já a fuga de quase 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e quase sete milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções em todos os setores, da banca à energia e ao desporto. A ONU apresentou como confirmados 5.587 civis mortos e 7.890 feridos, sublinhando que os números reais são muito superiores e só serão conhecidos no final do conflito.