2022-07-18 15:36:00 Jornal de Madeira

Sudão anuncia reabertura de posto fronteiriço com Etiópia após tensões recentes

O Sudão reabriu domingo um posto fronteiriço na fronteira com a Etiópia que tinha sido encerrado em junho após acusações de Cartum a Adis Abeba sobre a alegada execução de sete soldados e um civil.   A comissão técnica do Conselho de Segurança e Defesa sudanês disse que a decisão foi adotada após os últimos contactos entre os dois países para encontrar “soluções urgentes e permanentes para os problemas existentes na fronteira”, noticiou a agência estatal SUNA. O órgão acrescentou que a iniciativa se deve também às “medidas de boa vontade” das autoridades etíopes para “evitar a infiltração de elementos armados em território sudanês”. Neste sentido, o Conselho destacou que a passagem de Al-Galabat foi reaberta no domingo para permitir a circulação entre os dois países, antes de sublinhar que Cartum decidiu "intensificar o controlo fronteiriço" na zona para impedir "a circulação de elementos armados" entre os dois países, em "estreita coordenação" com Adis Abeba. O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, e o chefe do Exército e líder do Sudão desde o golpe de Estado de outubro passado, general Abddel Fatah al-Burhan, concordaram no início de julho em dialogar para enfrentar as recentes tensões na fronteira, depois de o Exército sudanês lançar uma ofensiva na área de Fashaga, na fronteira e alvo de disputas há meses entre os dois países. As operações foram lançadas dias depois de Cartum acusar Adis Abeba de ter executado sete militares e um civil que tinham sido capturados. Em resposta, a Etiópia afirmou que soldados sudaneses tinham entrado no seu território para apoiar a Frente Popular de Libertação de Tigray (TPLF, na sigla em inglês)) e observou que o incidente levou a confrontos com uma milícia local. A área de Fashaga tem sido palco de tensões nos últimos anos e os dois países começaram a trabalhar na demarcação da fronteira em dezembro de 2020 após vários incidentes, que giraram em torno da presença de agricultores etíopes em território sudanês, situação que era tacitamente tolerada pelo ex-presidente sudanês Omar Hassan al-Bashir. As autoridades sudanesas que emergiram do acordo após o golpe que derrubou Al-Bashir em abril de 2019 passaram a defender uma posição diferente e exigiram que esses agricultores abandonassem a área, o que provocou um aumento das tensões com a Etiópia.

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