2022-07-14 08:27:00 Jornal de Madeira

Ex-engenheiro da CIA condenado por orquestrar grande roubo de informações secretas

Um ex-engenheiro de ‘software’ da CIA foi condenado esta quarta-feira por causar o maior roubo de informações confidenciais da história da agência de inteligência dos Estados Unidos. Joshua Schulte, que optou por assumir a sua defesa num novo julgamento na cidade de Nova Iorque, referiu aos jurados, nas alegações finais, que a CIA e o FBI (a polícia federal norte-americana) fizeram dele um bode expiatório, pela uma divulgação pública de um conjunto de segredos da agência de inteligência, através da plataforma WikiLeaks, em 2017. Schulte não mostrou reação visível quando o juiz distrital dos EUA, Jesse M. Furman, anunciou o veredicto de culpado em nove acusações, alcançado a meio do dia pelo júri que estava em deliberação desde sexta-feira. A data da sentença não foi imediatamente definida, porque Schulte ainda aguarda julgamento por posse de pornografia infantil e acusações de transporte, tendo-se declarado inocente dessas acusações. O caso da fuga de informação, chamado “Vault 7”, revelou como a CIA ‘hackeou’ telemóveis com sistemas operativos da Apple e Android, em operações de espionagem no estrangeiro e os esforços para transformar televisões ligadas à Internet em dispositivos de escuta. Antes da sua detenção, Schulte ajudou a criar as ferramentas de ‘hackers’ como codificador na sede da agência em Langley, Estado da Virgínia. Os procuradores alegaram que Joshua Schulte, de 33 anos, foi motivado a orquestrar a fuga de informação porque acreditava que a CIA o desrespeitou, ao ignorar as suas queixas sobre o ambiente de trabalho. Desde então, segundo a acusação, Schulte tentou “queimar até o chão” o próprio trabalho que ajudou a agência a criar. Enquanto aguardava julgamento em prisão preventiva, Schulte continuou os seus crimes ao tentar divulgar materiais confidenciais adicionais, enquanto conduzia uma “guerra de informação” contra o governo, referiram ainda. Nas alegações finais, o ex-funcionário da CIA alegou que foi acusado apesar de “centenas de pessoas terem acesso [às informações]”, referindo que “centenas de pessoas poderiam tê-lo roubado”. “As acusações do governo estão cheias de dúvidas razoáveis. Simplesmente não há caso aqui”, apontou. O procurador dos EUA, David Denton, alegou que havia muitas provas de que Schulte furtou um arquivo de computador com material sensível. “Foi ele quem invadiu esse sistema. Foi ele que se apoderou desse ‘backup’ e que enviou para o WikiLeaks”, referiu. David Denton também encorajou os jurados a considerarem evidências de uma tentativa de encobrimento, incluindo uma lista de tarefas que Schulte desenhou que tinha uma entrada que dizia: “Excluir ‘e-mails’ suspeitos”. No seu argumento final, o juiz distrital dos EUA, Jesse Furman, elogiou Schulte. “Dependendo do que acontecer aqui, você pode ter um futuro como advogado de defesa”, referiu o juiz já com os jurados fora da sala. A anulação do julgamento foi declarada no julgamento original de Schulte em 2020, depois dos jurados terem entrado num impasse nas acusações mais graves, incluindo recolha ilegal e transmissão de informações de defesa nacional. Schulte, que está preso sem fiança desde 2018, disse ao juiz no ano passado que queria assumir a sua defesa para o novo julgamento. No ano passado, Schulte denunciou que foi vítima de punição cruel e inusitada, e que estava a aguardar julgamento num confinamento solitário dentro de uma cela infestada com insetos numa unidade prisional onde os presos são tratados como “animais enjaulados”.

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