Sri Lanka vai eleger novo Presidente em 20 de julho após demissão de Rajapaksa
O parlamento do Sri Lanka vai eleger um novo Presidente em 20 de julho que irá liderar interinamente o país após a renúncia de Gotabaya Rajapaksa, pressionado por manifestações que mobilizaram milhares de pessoas. Após uma reunião dos partidos, e uma vez formalizada a renúncia de Rajapaksa, a assembleia vai receber indicações em 19 de julho e, no dia seguinte, será eleito um novo Presidente, informou em comunicado o líder do parlamento do Sri Lanka, Mahinda Yapa Abeywardena. O chefe de Estado do Sri Lanka foi transferido na segunda-feira para uma base aérea próxima ao aeroporto internacional, disseram as autoridades, alimentando as hipóteses de Gotabaya Rajapaksa sair do país. Rajapaksa fugiu do palácio presidencial, este fim de semana, depois do edifício ter sido cercado por manifestantes, tendo encontrado refúgio nas instalações da Marinha, antes de ser levado para a Base Aérea de Katunayake. Hoje, o gabinete da Presidência não forneceu qualquer informação sobre a situação do chefe de Estado, mas vários meios de comunicação locais adiantaram que Rajapaksa estaria a preparar uma eventual fuga para o Dubai. No sábado, o líder de 73 anos fugiu por uma porta dos fundos da sua residência oficial em Colombo, minutos antes do edifício presidencial ter sido invadido e ocupado por manifestantes em fúria, que encontraram 17,85 milhões de rupias (cerca de 50 mil euros) em notas que entregaram à polícia. "O dinheiro foi apreendido pela polícia e será apresentado ao tribunal hoje", disse um porta-voz das autoridades. Segundo fontes oficiais, na residência também foi encontrada uma mala com documentos. Rajapaksa instalou-se no palácio presidencial depois de ter sido expulso da sua residência particular, em 31 de março, por manifestantes. O Presidente garantiu que renunciaria ao cargo, para permitir uma "transição pacífica". O primeiro-ministro do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, assegurou hoje que Rajapaksa já o tinha avisado oficialmente da sua intenção de renunciar. O chefe de Governo ficará como Presidente interino, se Rajapaksa renunciar, mas já anunciou a intenção de ele próprio renunciar ao poder, na ausência de um consenso para formar um Governo de unidade. Wickremesinghe, que era deputado da oposição, foi nomeado primeiro-ministro em maio, para tentar tirar o país de uma grave crise económica e política, cuja responsabilidade maior é apontada a Rajapaksa. A economia do Sri Lanka está em estado de colapso, estando a decorrer as negociações para um plano de ajuda com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O Sri Lanka deixou de pagar a sua dívida externa, de cerca de 50 mil milhões de euros, quase esgotou as suas reservas de gasolina e o Governo ordenou o encerramento de escritórios e escolas não essenciais, para reduzir as viagens e economizar combustível. O colapso económico levou a uma grave escassez de bens essenciais, deixando as pessoas a lutar para comprar alimentos, combustível e outros bens de primeira necessidade. Os ‘media’ internacionais descrevem a atual situação, que tem desencadeado grandes protestos, como a maior crise desde 1948, ano em que o país se tornou independente do Reino Unido. No passado dia 06 de julho, Gotabaya Rajapaksa pediu ajuda à Rússia no acesso a combustíveis e na retoma de voos turísticos. Hoje, o principal partido da oposição, Samagi Jana Balavegaya (SJB), esteve em negociações com vários outros partidos políticos, para obter apoio para o seu líder, Sajith Premadasa, que perdeu as eleições em 2019. De acordo com um funcionário do SJB, um acordo provisório já foi alcançado com os dissidentes do partido de Rajapaksa para se unirem à volta de Premadasa numa candidatura presidencial. O cargo de primeiro-ministro seria então ocupado por um membro do partido de Rajapaksa. Este fim de semana, cinco ministros renunciaram aos seus cargos e o gabinete do primeiro-ministro disse que o Governo concordou demitir-se em bloco, se se formar um Governo multipartidário alternativo.