2022-06-06 15:14:00 Jornal de Madeira

Índia: Insultos a Maomé por membros do partido no poder causam controvérsia

Os comentários ofensivos contra o profeta Maomé por dois membros do partido nacionalista indiano BJP (no poder) geraram polémica e denúncias contra o Governo de Nova Deli, que tomará medidas contra ambos, anunciaram hoje as autoridades. “Mensagens ofensivas [na rede social] no Twitter e comentários que denigrem uma personalidade religiosa foram feitos por certos indivíduos. (…) não refletem, de forma alguma, as opiniões do Governo da Índia”, disse hoje, num comunicado, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano, Arindam Bagchi. Segundo o porta-voz, “as instituições competentes já tomaram medidas fortes contra essas pessoas”. Esta declaração ocorre após críticas de vários países árabes, alguns dos quais alertaram que os insultos contra o profeta Maomé durante a semana passada ocorreram num contexto de crescente ódio e abusos contra o Islão na Índia, onde a violência contra os muçulmanos está a aumentar. Estas acusações sobre a escalada do ódio na Índia foram rejeitadas categoricamente por Bagchi, classificando-as como "injustificadas e com uma visão limitada". No centro das críticas estão os insultos ao profeta realizados pelo porta-voz nacional do BJP, Nupur Sharma, durante um debate na televisão, e posteriormente divulgados pelo responsável da comunicação do partido, Naveen Kumar Jindal, no Twitter. Os comentários também provocaram protestos de grupos muçulmanos no Estado de Uttar Pradesh, no norte do país, na sexta-feira, bem como pedidos de boicote contra a Índia nos meios de comunicação sociais em países árabes. Os Ministérios dos Negócios Estrangeiros do Qatar e do Kuwait foram os primeiros a transmitir, no domingo, aos embaixadores indianos nos respetivos países, a sua deceção pelo caso, solicitando desculpas públicas e classificando os comentários como "uma ofensa contra os mais de 2.000 milhões de muçulmanos em todo o mundo”. Com o crescimento da polémica, o BJP anunciou em comunicado a suspensão de Sharma e a expulsão de Jindal do partido, alegando que apresentavam uma visão contrária à do partido. O BJP é "fortemente contra qualquer ideologia que insulte ou rebaixe qualquer seita ou religião" e "não promove tais pessoas ou filosofia", acrescentou a formação política. Apesar de ambos terem retificado as suas palavras mais tarde, enfatizando que não queriam ferir os sentimentos religiosos de ninguém, outros países como a Arábia Saudita, Paquistão ou Afeganistão juntaram-se hoje às condenações relacionadas com o caso, exigindo que a Índia tome medidas. Os confrontos entre a maioria hindu e a minoria muçulmana são cada vez mais frequentes na Índia, que atravessa um período de crescente tensão religiosa. Até seis regiões da Índia, incluindo Nova Deli, registaram episódios de violência entre hindus e muçulmanos em abril passado durante procissões religiosas para celebrar o nascimento das divindades hindus Ram e Hanuman. Organizações de direitos humanos como a Amnistia Internacional (AI) ou a Human Rights Watch (HRW) denunciaram a crescente discriminação contra os muçulmanos indianos, que atribuem ao projeto político defendido pelo BJP, do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

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