Jubileu: Comemoração coincide com 650 anos da aliança luso-britânica
Os 70 anos de reinado da rainha Isabel II celebrados no Jubileu de Platina coincidem com o 650.º aniversário da mais antiga aliança diplomática do mundo, entre Portugal e Reino Unido, amizade que perdura até aos nossos dias. O Tratado da Aliança entre Portugal e Inglaterra, ou Tratado de Tagilde, foi assinado a 10 de julho de 1372, entre Portugal e Inglaterra, na Igreja de São Salvador de Tagilde entre o rei D. Fernando (o Formoso) e representantes do Duque de Lencastre (filho de Eduardo III de Inglaterra). O Tratado de Tagilde foi o primeiro de uma série de acordos que consolidaram a aliança anglo-portuguesa, a mais velha entre Estados independentes do mundo, em particular o tratado de Windsor (1386), que resultou no casamento do rei de Portugal, João I, com D. Filipa de Lencastre. A rainha Isabel II fez justiça a esta relação ao receber em 1955 o Presidente da República portuguesa, Francisco Craveiro Lopes, em Londres, o terceiro chefe de Estado estrangeiro a visitar a jovem rainha em Londres, apenas dois anos após a coroação (1953). O general retribuiu e convidou a monarca britânica, que viajou até Portugal em 1957, a quarta visita ao estrangeiro em funções e a primeira em 50 anos de um soberano britânico ao "fiel Aliado”. Isabel II foi recebida no Terreiro do Paço com pompa e circunstância, incluindo uma parada com seis mil homens, e ficou alojada no Palácio de Queluz, no qual três mil operários trabalharam durante vários meses nos arranjos e decorações. Além da capital, visitou o Porto, Vila Franca de Xira, Nazaré, Alcobaça e Batalha. A Rádio Televisão Portuguesa, ainda em fase experimental, fez com esta visita a primeira reportagem de exterior. Três anos depois do fim da ditadura, o Presidente António Ramalho Eanes fez uma visita de Estado ao Reino Unido após uma escala pelo Parlamento Europeu, em Estrasburgo, procurando realçar a mudança de regime em Portugal e o desejo de integração europeia. Num sinal de apoio à jovem democracia europeia, Isabel II regressou a Portugal em 1985, meses antes da adesão formal de Lisboa à União Europeia (então Comunidade Económica Europeia) pelo então primeiro-ministro, Mário Soares. O líder socialista iria protagonizar a última visita de Estado entre os dois países, ao deslocar-se ao Reino Unido em 1993 como Presidente da República, aproveitando para condecorar a rainha com o Grande Colar da Ordem da Torre e Espada. Isabel II foi a terceira personalidade estrangeira a receber a mais alta distinção honorífica portuguesa, a qual precisou de aprovação em Lisboa por decreto especial, depois do general Francisco Franco e do Presidente Emilio Garrastazu Médici, do Brasil. Na altura, a distinção era exclusiva para os antigos Presidentes da República portugueses no final do mandato, mas a regra mudou em 2011. A visita foi retribuída, não pela rainha, que não regressou a Portugal, mas pelo herdeiro da coroa britânica, o príncipe Carlos, acompanhado pela princesa Diana, em 1987. Antes, em 1986, o irmão André passou parte da lua de mel nos Açores com a mulher Sarah Ferguson. Carlos voltou a Lisboa para uma visita oficial durante a Exposição Mundial de 1998 (Expo’98). Jorge Sampaio, em 2002, e Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016, foram ambos recebidos como chefes de Estado pela rainha no Palácio de Buckingham, embora em visita oficial de trabalho e não de Estado. O encontro de Rebelo de Sousa com a rainha ficou conhecido pela breve troca de palavras captadas pelas câmaras de televisão, quando o Presidente recordou ter assistido pessoalmente às duas visitas da monarca a Portugal. “Eu estava lá, era uma criança", contou, a propósito da visita em 1957, quando tinha oito anos, ao que a rainha, divertida com a diferença de idades, respondeu: "Tenho a certeza que era”. O Jubileu de Diamante de Isabel II, que assinala 70 anos de reinado, vai ser marcado por uma série de eventos públicos durante quatro dias, entre quinta-feira, 02 de junho, e domingo, 05 de junho, incluindo dois feriados para permitir um fim de semana prolongado.