2022-04-17 16:19:00 Jornal de Madeira

Ucrânia: Militares ucranianos em Mariupol vão lutar “até ao fim”

 Os últimos militares ucranianos presentes na cidade de Mariupol vão continuar a “lutar até ao fim”, afirmou o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmygal, numa entrevista transmitida hoje pela estação norte-americana ABC. “Não, a cidade não caiu. As nossas forças militares, os nossos soldados ainda lá estão. Eles vão lutar até ao fim. Enquanto falo, eles ainda estão em Mariupol”, afirmou o governante, citado pela agência France-Presse (AFP). Os militares ucranianos cercados em Mariupol estão, segundo o primeiro-ministro, a ignorar o ultimato da Rússia para deporem as armas e evacuarem o local estratégico no sudeste da Ucrânia, cuja captura por Moscovo constituiria uma grande vitória para o Kremlin. No sábado à noite, a Rússia pediu a rendição dos militares ucranianos que estão em Mariupol, exigindo que depusessem as armas a partir das 06:00, horário de Moscovo (04:00 em Lisboa). Também no sábado, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que a “eliminação” dos últimos soldados ucranianos presentes em Mariupol “poria fim a qualquer negociação de paz” com Moscovo. Denys Shmygal rejeitou também as recentes alegações do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, que disse que as forças russas estão a ganhar a guerra. “Nem uma única grande cidade caiu. Apenas Kherson está sob o controlo das forças russas, mas todas as outras cidades estão sob controlo ucraniano”, insistiu, acrescentando que mais de 900 municípios, incluindo a capital, Kiev, estão livres da ocupação russa. “Estamos atualmente a combater na região do Donbass e não temos intenção de nos rendermos”, acrescentou. Situada no mar de Azov, Mariupol é um dos principais objetivos dos russos no esforço para obter controlo total da região de Donbass e formar um corredor terrestre, no leste da Ucrânia, a partir da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. De acordo com o município, pelo menos 20.000 civis morreram nesta cidade desde o início da invasão russa. Numa entrevista transmitida hoje pela estação CNN, Zelensky descartou a possibilidade de deixar Moscovo assumir o controlo da região de Donbass e parte da Ucrânia oriental. “A Ucrânia e o seu povo são claros. Não temos qualquer reivindicação sobre o território de mais ninguém, mas não vamos abdicar do nosso”, disse. A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou quase dois mil civis, segundo dados das Nações Unidas, que alertam para a probabilidade de o número real ser muito maior. A guerra causou a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, mais de cinco milhões das quais para os países vizinhos. A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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