2022-04-12 18:51:00 Jornal de Madeira

EUA oferecem cinco milhões de dólares para acabar com clã irlandês Kinahan

 O governo norte-americano ofereceu hoje uma recompensa de cinco milhões de dólares (4,5 milhões de euros) a qualquer pessoa que forneça informações úteis para deter os líderes irlandeses do Grupo de Crime Organizado Kinahan (KOGC, em inglês).   O anúncio foi feito pela embaixadora dos Estados Unidos na Irlanda, Claire Cronin, num evento celebrado na Câmara Municipal de Dublin. Christopher Vincent Kinahan e os seus dois filhos, Daniel Joseph Kinahan e Christopher Vincent Kinahan, são considerados pelas autoridades os principais líderes de uma das maiores organizações criminosas do mundo, com presença também em Espanha, e implicados em múltiplos assassínios, contrabando de armas e “tráfico de narcóticos letais”, segundo a diplomata. Cronin recordou que o KOGC representa também uma “ameaça a toda a economia legal através do seu papel no branqueamento de capitais”, de acordo com a agência noticiosa espanhola EFE. A recompensa, detalhou o Departamento de Estado norte-americano num cartaz com as fotografias dos três irlandeses, destina-se a informação “que conduza à perturbação financeira da organização criminosa do [grupo] Kinahan ou à detenção e/ou condenação de” qualquer um deles. O Superintendente da polícia irlandesa (Garda), Drew Harris, disse que o “plano coordenado internacionalmente” para derrubar este clã do crime organizado “está a dar frutos”. Ao mesmo tempo, indicou que a medida apresentada hoje se enquadra numa “primeira fase” de operações, depois de o Departamento de Tesouro norte-americano ter anunciado sanções contra o KOGC na segunda-feira. As sanções visam todas as propriedades que constam na lista dos líderes do KOGC nos EUA ou sob o controlo de um cidadão norte-americano. Segundo Washington, o clã irlandês, que surgiu no final do século XX e início do século XXI, opera na Irlanda e está também estabelecido em Espanha, Reino Unido, Itália, Colômbia, México e Emirados Árabes Unidos, onde vários dos seus líderes residem atualmente. “É verdade que alguns estão localizados em jurisdições sem tratados de extradição com este país. Mas digo-lhes que não poderão fugir ou esconder-se da justiça para sempre e, a partir de hoje, começarão a ficar sem dinheiro, amigos ou influência”, advertiu Harris. As operações lançadas pela Garda contra o bando resultaram em condenações para 79 dos seus membros desde 2015, ano de início de um confronto sangrento com o clã de Gerry Hutch, conhecido como “O Monge”, detido o ano passado em Espanha. Desde então, os Kinahans mataram 16 membros do grupo rival, enquanto os assassinos a mando do “Monge” – que perdeu dois sobrinhos e um irmão – mataram dois, numa escala de violência que obrigou as autoridades a tomar medidas mais firmes e de âmbito internacional, segundo a EFE.

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