2022-03-29 18:51:00 Jornal de Madeira

Exército acusa rebeldes de abater helicóptero das Nações Unidas na RDCongo

O exército da República Democrática do Congo (RDCongo) acusou hoje o grupo rebelde M23, que retomou os seus ataques, de abater um helicóptero da missão da ONU (Monusco) com pelo menos oito pessoas a bordo, no nordeste do país.   As Forças Armadas da RDCongo (FARDC) declararam num comunicado que o "movimento reincidente M23 acaba de abater, na área que controla, um dos dois helicópteros de reconhecimento da Missão de Estabilização das Nações Unidas na RDCongo". A aeronave tinha "oito ‘capacetes azuis’, membros da tripulação e observadores da ONU a bordo", segundo o comunicado, assinado pelo brigadeiro-general Sylvain Ekenge Bomusa. "O helicóptero foi abatido no meio de uma missão inofensiva para avaliar os movimentos populacionais causados pelos ataques do M23 na região, em antecipação das ações humanitárias a serem empreendidas", salientou o general. As FARDC e a Monusco "estão a trabalhar arduamente para encontrar a aeronave e possíveis sobreviventes", acrescentou a declaração. A nota foi emitida pouco depois da Monusco ter relatado hoje que tinha perdido o contacto com um dos seus helicópteros, numa área de luta entre rebeldes e o exército congolês. "A Monusco perdeu o contacto desde o meio-dia com um dos seus helicópteros numa missão de reconhecimento na área de Tshanzu (Rutshuru)", na província nordeste do Kivu Norte, disse a missão das Nações Unidas, através da sua conta na rede social Twitter. "As causas deste desaparecimento ainda não são conhecidas. A investigação está em curso", acrescentou a Monusco, sem fornecer mais pormenores. De momento, a missão da ONU não comentou as informações contidas no comunicado do exército congolês. Rutshuru é o território onde o grupo rebelde M23 e o exército congolês têm vindo a lutar nos últimos dois dias. O general Benoît Chavanat, comandante adjunto da Monusco, afirmou hoje no Twitter que "a força da ONU não está diretamente envolvida na luta contra o M23". "Mas, dentro do seu mandato, atua em apoio" do exército congolês em áreas como a "proteção dos civis, que está no centro da nossa missão", sublinhou Chavanat. Cinco aldeias caíram nas mãos do grupo rebelde M23 desde segunda-feira, após os combates com o exército, confirmaram hoje à agência Efe os líderes da sociedade civil. Numa declaração emitida no final da segunda-feira, o exército da RDCongo acusou as forças armadas ruandesas de colaborarem com o M23 e afirmou ter capturado "dois soldados ruandeses". Os rebeldes surpreenderam os militares congoleses em vários locais em Rutshuru, às primeiras horas da manhã de segunda-feira. O ataque ocorreu depois de o exército ter efetuado operações contra bases do M23, em Rutshuru, na semana passada, o que os rebeldes lamentaram numa declaração emitida no sábado. Como resultado dos combates, "centenas de civis" fugiram para o vizinho Uganda, disse na segunda-feira o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no Uganda, Wendy Kasujja. O M23 começou como um grupo rebelde no início de 2012 e era constituído principalmente por soldados que desertaram do exército congolês para protestar contra o governo. Estes lutadores avançaram rapidamente e, em novembro de 2012, conseguiram ocupar a cidade de Goma, a capital do Kivu do Norte, durante duas semanas. Na altura, a ONU acusou o M23 de ser apoiado financeira e militarmente pelo Ruanda e mesmo de receber ordens diretas de oficiais superiores do exército ruandês. Durante meses, os Estados Unidos da América e o Reino Unido cancelaram os seus donativos e programas de cooperação com o Ruanda, cujo presidente, Paul Kagame, negou quaisquer ligações com o M23. Eventualmente, a pressão diplomática levou o M23 a retirar-se de Goma e a iniciar conversações de paz com o governo congolês. Em 2017, alguns combatentes do M23 criticaram a lenta implementação dos acordos assinados nestas conversações e organizaram ataques perto da fronteira ugandesa. O Leste da RDCongo tem estado mergulhado em conflitos há mais de duas décadas, alimentados por milícias rebeldes e ataques do exército, apesar da presença da Monusco, que conta com mais de 14.000 soldados.

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