2022-03-29 16:03:00 Jornal de Madeira

Ucrânia: Turquia saúda “progressos” nas negociações entre Kiev e Moscovo

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Çavusoglu, saudou hoje os “progressos mais significativos” desde o início da guerra na Ucrânia nas negociações entre Kiev e Moscovo em Istambul, indicando que estas terminaram. “Trata-se dos progressos mais significativos desde o início das negociações”, declarou o ministro, no final de três horas de diálogo entre as delegações russa e ucraniana. No final desta reunião, a Rússia, que invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro, prometeu reduzir “radicalmente” a sua atividade militar na direção de Kiev e Chernigiv, cerca de 120 quilómetros a nordeste de Kiev. Segundo a delegação ucraniana, Kiev desistirá formalmente de tentar aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) se, em troca, receber garantias sólidas de um grupo de dez países, entre os quais os cinco membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (em que se inclui a Rússia), de proteção contra qualquer agressão militar. “Agora, caberá aos ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países reunir-se para resolver as questões mais difíceis”, disse o ministro turco, acrescentando que “se prevê para breve um encontro dos líderes”. Também elementos das delegações ucraniana e russa disseram à imprensa que os avanços de hoje poderão ser suficientes para que, uma vez aprovados a nível ministerial, abram caminho a um encontro entre os respetivos Presidentes, Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin. Após vários dias de negociações por videoconferência, as delegações prosseguiram hoje presencialmente em Istambul as conversações iniciadas em finais de fevereiro na Bielorrússia. Segundo a imprensa turca, os chefes das duas delegações encontraram-se à margem das conversações. As delegações russa e ucraniana reuniram-se hoje de manhã no palácio de Dolmabahçe, última residência dos sultões no Bósforo e último centro administrativo do Império Otomano, onde a Presidência turca tem escritórios. O encontro foi precedido por uma breve reunião com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que as exortou a porem termo à “tragédia” que constitui a invasão da Ucrânia pelas tropas russas. Ancara nunca reconheceu a anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia em 2014, insiste que a integridade territorial da Ucrânia deve ser respeitada e vende armamento a Kiev, mas, ao mesmo tempo, Erdogan mantém boas relações com Putin e comprou um sistema de defesa antimísseis a Moscovo. Em meados de março, a diplomacia turca conseguiu reunir os ministros dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, e ucraniano, Dmytro Kuleba, em Antalya, embora o breve encontro não se tenha traduzido em progressos. A Turquia não participa nas sanções europeias contra a Rússia, e tanto cidadãos russos como ucranianos podem entrar no país sem visto, pelo que este se transformou em destino não só para milhares de refugiados ucranianos como também para muitos russos que fogem à repressão política de Moscovo. A ofensiva militar lançada na madrugada de 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de dez milhões de pessoas, mais de 3,9 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU – a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia. A invasão russa – justificada por Putin com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto. A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 34.º dia, causou um número ainda por determinar de mortos civis e militares e, embora admitindo que “os números reais são consideravelmente mais elevados”, a organização confirmou hoje pelo menos 1.151 mortos, incluindo 103 crianças, e 1.824 feridos entre a população civil.

Pesquisa

Partilhe

Email Netmadeira