2022-01-27 18:48:00 Jornal de Madeira

TV estatal iraniana mostra imagens de líderes exilados a exigir morte do líder supremo

Vários canais de televisão estatais do Irão transmitiram hoje imagens de líderes de um grupo dissidente exilado a exigir a morte do líder supremo iraniano, incidente que os ‘media’ públicos descreveram, mais tarde, como um ato de pirataria.   Durante quase 10 segundos, foram exibidas imagens geradas por computador a mostrar os líderes do movimento Mujahedeen-e-Khalk (MeK) e o nome de uma conta em duas redes sociais que, alegadamente, está relacionada com um grupo de “hackers” (piratas informáticos) responsável pela transmissão da mensagem em homenagem aos dissidentes. O MeK, atualmente instalado na Albânia, ainda não comentou a situação. O aparente ato de pirataria representa uma grave violação cometida na televisão estatal iraniana, que há muito se acredita ser controlada e operada por membros dos serviços de informações da República Islâmica, particularmente da Guarda Revolucionária (“linha-dura” do regime). Tal incidente não acontecia há anos. A televisão estatal do Irão reconheceu a violação como um “ato de pirataria” e referiu que o caso está a ser investigado. No vídeo, visionado pela agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), são mostrados os rostos dos líderes do MeK, Massoud Rajavi, e a sua mulher, Maryam Rajavi, que são subitamente sobrepostos à programação de notícias. Segue-se, depois, a voz de um homem a cantar: “Saudações a Rajavi, morte a [o líder supremo, Ali] Khamenei”. Logo de seguida, passa, por breves segundos, um discurso de Rajavi, podendo ouvir-se: “Hoje, ainda honramos o momento em que declaramos a morte ao reacionário. Nós apoiámo-lo”. Massoud Rajavi não é visto publicamente há quase duas décadas e presume-se que tenha morrido, com a liderança do MeK aparentemente nas mãos de Maryam Rajavi. O MeK começou como uma organização socialista contra o Governo do Xá Mohammad Reza Pahlavi, tendo sido considerado suspeito de uma série de ataques contra autoridades dos Estados Unidos no Irão ao longo da década de 1970, algo que o grupo agora nega. Apoiou a Revolução Islâmica de 1979, mas, imediatamente após, teve um desentendimento com o ayatollah (líder religioso supremo) Ruhollah Khomeini e virou-se contra o regime clerical. O MeK é apontado por ser responsável por uma série de assassínios e atentados contra a então jovem República Islâmica. Mais tarde, o MeK refugiou-se no Iraque e apoiou o ditador Saddam Hussein durante a sangrenta guerra de oito anos contra o Irão ao longo da década de 1980, levando a que muitos, ainda hoje, se lhe oponham no Irão, onde o movimento reivindica manter uma rede a operar no país.  

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