2022-01-24 17:21:00 Jornal de Madeira

Ucrânia: Reino Unido preocupado com dependência energética europeia da Rússia

A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Liz Truss, defendeu hoje que a Europa deve reduzir a dependência energética do gás natural russo, tendo em conta as tensões na fronteira com a Ucrânia.  "Gostava de ver a Europa reduzir a dependência do gás russo”, afirmou a ministra britânica em Bruxelas, em declarações à estação Sky News, após um encontro com o vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic. Os países do Ocidente têm estado a aumentar a pressão sobre a Rússia para desencorajar uma eventual invasão da Ucrânia, em cuja fronteira Moscovo concentrou milhares de tropas nos últimos meses. Uma eventual sanção, disse Liz Truss, poderá ser um boicote ao gasoduto germano-russo Nord Stream 2, cuja abertura está suspensa. "Estou muito preocupada com a dependência energética europeia de gás russo e sou muito clara que o Nord Stream 2 não deve avançar no caso de uma incursão [militar russa] na Ucrânia”, vincou Truss. O Reino Unido, tal como os Estados Unidos, anunciou o envio de armamento para a Ucrânia e ordenou a retirada de alguns funcionários diplomáticos e respetivas famílias devido ao risco de conflito. “É importante que nos preparemos para todas as eventualidades e há sinais muito preocupantes sobre o que pode acontecer”, justificou a ministra, que disse ter "um pacote muito forte de sanções fortes pronto no caso de a Rússia fazer uma incursão na Ucrânia”. O Reino Unido, através de uma declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, alegou no sábado ter informações de que a Rússia pretende designar um líder pró-russo em Kiev, enquanto considera invadir e ocupar a Ucrânia. A Rússia concentrou cerca de 100.000 soldados na sua fronteira com a Ucrânia nos últimos meses, o que levou os Estados Unidos e os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) a acusar Moscovo de pretender invadir novamente o país vizinho, depois de ter ocupado e anexado a península da Crimeia em 2014. Em declarações à parte, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, avisou hoje para o risco de um conflito "doloroso, violento e sangrento” que se pode prolongar durante muitos anos. "Acho muito importante que as pessoas na Rússia entendam que esta pode ser uma nova Chechénia”, disse, numa referência às duas guerras entre 1994 e 2009 naquele território no Cáucaso russo, que resultaram, estima-se, em cerca de 300.000 mortes. 

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