2022-01-24 17:44:00 Jornal de Madeira

Partido no poder no Burkina Faso denuncia tentativa frustrada de assassínio do PR

O partido do Presidente do Burkina Faso, Roch Marc Kaboré, denunciou hoje uma "tentativa abortada de assassínio" do chefe de Estado, cujo destino continua desconhecido após o motim de soldados em vários quartéis do país. Enquanto o Burkina Faso "se aproxima de hora em hora para um golpe militar", o Movimento Popular para o Progresso (MPP) também denuncia em comunicado de imprensa "o saque da residência privada do chefe de Estado" e "a tentativa de assassínio de um ministro", que não identifica. O MPP denuncia ainda o "cerco" do palácio presidencial de Kosyam "por um grupo de homens armados e encapuzados" e "a ocupação da rádio e televisão nacionais" em Ouagadougou. O partido no poder "exorta as forças de defesa e segurança legalistas, patrióticas e republicanas a distanciarem-se” do que chama “enésima tentativa de desestabilização" e "ao lado do povo de Burkina Faso, da legalidade e da democracia". O destino de Kabouré continua desconhecido após informações de fontes do governo terem alegado que ele havia conseguido escapar. A União Africana (UA) já condenou veementemente a "tentativa de golpe" no Burkina Faso, apelando ao exército nacional e às forças de segurança para "garantirem a integridade física do Presidente" Roch Marc Christian Kaboré e do seu governo. A União Africana condenou hoje a "tentativa de golpe de Estado", que, aparentemente, está a acontecer no Burkina Faso, após um motim em várias unidades militares, e exigiu às forças armadas que garantam a "integridade física" do Presidente. Também a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) se pronunciou sobre a situação no Burkina Faso, tendo responsabilizado os militares “pela integridade física” de Roch Kaboré. A CEDEAO condena a ação dos militares, que classifica “como de extrema gravidade”, exortando-os a “regressarem aos quartéis, manter uma postura republicana e a privilegiarem o diálogo com as autoridades para a resolução dos seus problemas”. O Presidente Kaboré, no poder desde 2015 e reeleito em 2020 com a promessa de lutar contra os terroristas, tem vindo a ser cada vez mais contestado por uma população atormentada pela violência de vários grupos extremistas islâmicos e pela incapacidade das forças armadas do país responderem ao problema da insegurança. Vários quartéis no Burkina Faso foram este domingo palco de motins de militares, que exigiram a substituição das chefias militares e os "meios apropriados" para combater os grupos terroristas, que atacam o país desde 2015.

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