Primeiro-ministro do Haiti diz ter sido alvo de uma tentativa de homicídio
O primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, denunciou ter sido alvo de uma tentativa de homicídio durante as comemorações do dia nacional, que decorreu no sábado na cidade de Gonaives. “Algum tentou fazer alguma coisa contra mim, pessoalmente”, revelou à Agência France-Presse o chefe de Governo haitiano, que desde o assassinato do Presidente Jovenel Moïse por um grupo de mercenários, em 07 de julho, tem liderado o país. “A minha vida está na mira de pessoas”, acrescentou. Confrontos entre a polícia e grupos armados eclodiram no sábado, durante as comemorações do dia nacional que decorreram em Gonaives, a 150 quilómetros a norte da capital, Port-au-Prince. Debaixo de fogo, Ariel Henry e outros representantes oficiais foram obrigados a fugir da cidade onde a declaração de independência do Haiti foi assinada, em 01 de janeiro de 1804. Nas imagens enviadas à agência AFP pelo gabinete do primeiro-ministro, é possível ver uma bala no para-brisas da viatura blindada do governante. Na semana passada, grupos de cidadãos e membros de gangues de Gonaives, a terceira maior cidade do Haiti, expressaram com violência a contestação à visita do primeiro-ministro haitiano. "Eu sabia que corria este risco. Não podemos aceitar que criminosos, de qualquer origem que seja, e por razões mesquinhas, queriam chantagear o Estado”, salientou Ariel Henry na entrevista telefónica. O homicídio do Presidente haitiano há seis meses, na sua residência particular, aumentou a grande instabilidade vivida no país há anos, bem como a crise política. Sem parlamento em funcionamento há dois anos e com o poder judicial paralisado devido à falta de juízes, a população do Haiti é confrontada diariamente com o aumento de grupos armados e de sequestros, devido ao sentimento de impunidade. O Centro de Análise de Investigação de Direitos Humanos (CARDH), uma organização não-governamental (ONG) haitiana especializada em casos de sequestro contabilizou 949 sequestros em 2021, entre os quais os de 55 cidadãos estrangeiros de cinco países.