Afeganistão: China alerta que caos no país multiplica ameaças terroristas
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wu Jianghao, advertiu hoje que grupos terroristas como o Estado Islâmico e a Al-Qaida estão a aproveitar o “caos” no Afeganistão para reforçar a sua presença, e pediu união e cooperação à comunidade internacional. Wu, que interveio em Pequim na inauguração do II Semanário Internacional sobre Contraterrorismo, argumentou que em 2021 – ano em que os Estados Unidos retiraram as tropas do país e os talibãs retomaram o poder – a situação no Afeganistão “alterou-se drasticamente”, informou a agência oficial Xinhua. “As novas ameaças e desafios no campo do antiterrorismo requerem níveis de vigilância. As forças terroristas estão a aproveitar as novas tecnologias emergentes. O uso do ciberespaço encobre e dificulta a deteção da atividade terrorista e aproximou-a do crime organizado”, afirmou. O alto funcionário também mencionou a suposta presença no Afeganistão do grupo secessionista Movimento do Turquestão Oriental (ETIM na sigla em inglês), e exortou todos os países a reconhecerem “plenamente a natureza terrorista e violenta” desta organização e a colaborar com a China para a sua erradicação. “Devido a interesses políticos, alguns países decidiram limpar o nome do ETIM, reconhecida como organização terrorista pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas”, disse o diplomata. Pequim associa os conflitos surgidos nos anos recentes na região do nordeste de Xinjiang, junto à fronteira com o Afeganistão e onde se concentra a minoria étnica muçulmana Uigur, com grupos como o ETIM, que para as autoridades chinesas estão sob influência ‘jihadista’. Sem mencionar expressamente os Estados Unidos, Wu criticou “uns quantos países que converteram a luta antiterrorista numa arma política, emitindo acusações sem sustentação contra o contraterrorismo legítimo e as medidas contra a radicalização adotadas pela comunidade internacional”. “O terrorismo foi inclusivamente utilizado para impulsionar os seus próprios interesses geopolíticos, o que vai contribuir para o ressurgimento do terrorismo”, assinalou. O vice-ministro chinês apelou à comunidade internacional para que conceda a devida importância à função central das Nações Unidas, ao reforço das capacidades dos países em desenvolvimento, para abordar os sintomas e as causas profundas, e encarar as novas ameaças e ideologias terroristas. O seminário contou com a presença, em formato virtual, de peritos, académicos e representantes das agências de combate ao terrorismo de 17 países, incluindo Rússia, Estados Unidos, França, Paquistão e Afeganistão. Em setembro passado, o diretor-adjunto do gabinete político dos talibãs no Qatar, Abdul Salam Hanafi, assegurou que ao seu movimento “nunca permitirá o Afeganistão seja utilizado para ameaçar os interesses da China”.