2021-12-22 18:44:00 Jornal de Madeira

RCA: Conselho de Segurança das Nações Unidas sanciona líder de grupo armado

​​​​​​O Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou sanções, na terça-feira, contra o líder de um dos grupos armados da República Centro-Africana (RCA), Ali Darassa, anunciaram hoje diplomatas franceses.   "Sob proposta de França e com o patrocínio dos Estados Unidos, Índia e Reino Unido, o Conselho de Segurança adotou em 21 de dezembro de 2021 sanções individuais contra Ali Darassa", declarou uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês. "Ao decidir por unanimidade esta medida, o Conselho de Segurança demonstra mais uma vez a sua determinação em lutar contra a impunidade e em julgar aqueles que se opõem ao processo de paz na República Centro-Africana", afirmou a porta-voz Anne-Claire Legendre. Os Estados Unidos já tinham anunciado, na sexta-feira, a apreensão de todos os bens americanos de Ali Darassa, que lidera o grupo armado Unité pour la paix en Centrafrique (UPC). "Este indivíduo é responsável por numerosos crimes e abusos contra civis, bem como pelo tráfico de armas em violação do embargo em vigor, atos de predação e guerra contra as autoridades da RCA", explicou. "Ali Darassa foi fundamental na criação do UPC, uma coligação de grupos armados que procurou derrubar as autoridades da RCA em dezembro de 2020, em violação ao Acordo de Paz e Reconciliação na República Centro-Africana (APPR) de 06 de fevereiro de 2019", concluiu. O Presidente Faustin Archange Touadéra foi reeleito e o seu exército reconquistou agora em grande parte o território da RCA, graças ao apoio de centenas de paramilitares russos, mercenários da empresa privada de segurança russa Wagner, que, segundo as Nações Unidas e França, exercem uma forte influência sobre Bangui. De acordo com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, "os militantes da UPC mataram, torturaram, violaram e deslocaram milhares de pessoas desde 2014". A organização não-governamental norte-americana 'The Sentry', especializada em localizar dinheiro de corrupção que financia guerras, diz que Ali Darassa esteve diretamente envolvido num ataque a um campo de refugiados, no qual pelo menos 112 pessoas morreram em novembro de 2018. A UPC, principalmente ativa na RCA oriental, tinha-se comprometido, em abril, a abandonar a coligação rebelde que procurava derrubar o regime do Presidente Touadéra, mas recusou-se, em outubro a juntar-se a outros grupos num cessar-fogo declarado pelo chefe de Estado. De acordo com dados disponibilizados pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas, atualmente estão empenhados na RCA 191 militares portugueses no âmbito da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) e 45 meios. Também na RCA, mas no âmbito da missão de treino da União Europeia (EUTM-RCA), estão no terreno 26 militares. Na semana passada, a União Europeia decidiu suspender temporariamente a missão de treino militar, devido ao controlo das forças armadas da RCA exercido por mercenários do Grupo Wagner. Portugal e a RCA têm um acordo bilateral de formação de tropas, e Lisboa mantém boas relações com a liderança em Bangui, que nunca se pronunciou sobre o caso recente de tráfico de diamantes por tropas portuguesas.  

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