2021-12-21 15:13:00 Jornal de Madeira

ONU apela à investigação de agressões sexuais e mortes durante repressão dos protestos no Sudão

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas apelou hoje ao Sudão para investigar a alegada violação de 13 mulheres e raparigas, bem como a morte de duas manifestantes, durante os protestos em Cartum, no domingo.   As manifestações, convocadas para assinalar o terceiro aniversário do início das revoltas populares, foram severamente reprimidas. Dois manifestantes foram mortos por disparos com munições reais e cerca de 300 pessoas ficaram feridas, algumas também por ferimentos com munições reais, afirmou hoje a porta-voz do alto comissariado, Elizabeth Throssell, numa conferência de imprensa na sede da organização, em Genebra. As alegadas violações, algumas em grupo, e outros casos de abuso sexual foram relatados por mulheres e raparigas que tentavam fugir de áreas em redor do palácio presidencial e, em muitos casos, os perpetradores foram membros das forças de segurança, acrescentou a mesma fonte. "Pedimos uma investigação independente e exaustiva das alegações de violação e assédio sexual, bem como das alegações de mortes e ferimentos de manifestantes em resultado do uso desnecessário ou desproporcionado da força, em particular do uso de munições vivas", afirmou a porta-voz. Throssell afirmou que, com as manifestações previstas para este fim-de-semana e para os próximos dias, é "crucial" que as forças de segurança garantam e protejam o direito à reunião pacífica e atuem com total respeito pelas leis e normas internacionais que regem o uso da força. Os protestos de domingo último comemoraram o início em 2018 da revolta popular, que meses depois derrubou a ditadura de Omar al-Bashir, ao mesmo tempo que expressavam protesto contra o golpe militar em 25 de outubro último, que paralisou a transição democrática do país. A mesma fonte também manifestou preocupação com o recrudescimento da violência na região de Darfur, no oeste do país, onde pelo menos 250 civis foram mortos desde setembro. A porta-voz do Alto Comissariado sublinhou a necessidade urgente de as autoridades nacionais que forem destacadas para aquela região receberem prévia formação completa em direitos humanos.

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