2021-11-15 14:56:00 Jornal de Madeira

África do Sul lança comissão de inquérito sobre tumultos que abalaram país em julho

A Comissão de Direitos Humanos da África do Sul lançou hoje uma investigação sobre os tumultos que abalaram o país em julho, cujo balanço resultou em mais de 350 pessoas mortas, aprofundando a pobreza em várias áreas. As audiências foram abertas perto de Durban, na província oriental de KwaZulu-Natal, onde começou a onda de violência, inicialmente ligada ao encarceramento do ex-presidente Jacob Zuma (2009-2018), muito popular na região. O objetivo da comissão é determinar as causas da violência, as falhas na intervenção da polícia, o papel das empresas de segurança privadas e os motivos por detrás de alguns dos assassínios cometidos num contexto de tensão racial. Confrontados com a ausência ou debilidade da polícia, face à dimensão dos tumultos, alguns residentes pegaram em armas para fazer justiça com as próprias mãos. Sibahle, uma jovem com 17 anos, foi morta nestas circunstâncias, segundo a sua tia, Zama Nguse, a primeira testemunha da comissão. Em Durban, homens zangados com o saque das suas lojas atearam fogo a casas improvisadas e dispararam contra membros da comunidade, de acordo com a testemunha. "Sibahle não sabia para que lado tínhamos fugido, estava à nossa procura. Um homem disse-me mais tarde que Sibahle tinha sido baleada”, afirmou. A agitação "exacerbou, entre outras coisas, as desigualdades entre algumas comunidades, o nível de desemprego, pobreza, fome e insegurança alimentar", fez saber a Comissão através de uma declaração, citada pela agência France-Presse. A destruição causou, pelo menos, 1,4 mil milhões de euros em danos, acrescentou o organismo. As audiências deverão continuar até 03 de dezembro.

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