2021-11-09 18:07:00 Jornal de Madeira

Rússia acusa EUA de concentrarem força militar multinacional no mar Negro

O Ministério da Defesa russo acusou hoje os Estados Unidos de concentrarem uma força militar multinacional no Mar Negro, perto da zona costeira russa, que Moscovo considera um “fator de desestabilização” na região na fronteira com a Ucrânia.   “Estas são ações não planeadas das forças dos EUA que criam um grupo multinacional de Forças Armadas nas imediações das fronteiras russas”, disse o general Igor Konashenkov, porta-voz militar russo, numa declaração oficial. Outro objetivo do aumento da presença militar dos países da NATO no Mar Negro seria, adiantou, o “controlo militar do território da Ucrânia”. Konashenkov denunciou a presença nos portos da Geórgia do USS Mount Whitney, navio de bandeira da Sexta Frota norte-americana, do contratorpedeiro USS Porter, que entrou no Mar Negro no final de outubro, e do petroleiro John Lenthall. O general alertou que nas manobras aliadas vão participar contingentes da Turquia, Ucrânia, Bulgária, Geórgia e Roménia e que é “óbvio” que procuram estudar um possível “teatro de operações no caso de Kiev preparar uma solução militar no sudeste” do país, em referência a Donbass. Além disso, relatou voos efetuados por dois bombardeiros estratégicos B-1B da Força Aérea norte-americana, na área a cerca de 100 quilómetros da fronteira russa. Recentemente, o ministro da Defesa, Serguei Shoygu, considerou possível “qualquer provocação” por parte da NATO, que associou a tentativas de pôr à prova os sistemas de defesa da Rússia no Mar Negro, e adiantou que a frota russa vai também realizar exercícios na zona. Na semana passada, o Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou o reforço da defesa aeroespacial face ao avanço da NATO em direção às fronteiras do país e ao aumento da presença da frota aliada no Mar Báltico e no Mar Negro. No dia 04 de novembro, por ocasião do feriado nacional (Dia da Unidade Nacional), Putin visitou a anexada península da Crimeia, que proclamou que será russa para sempre. Na segunda-feira, os Estados Unidos instaram a Rússia a ser “clara” sobre os seus últimos movimentos na fronteira ucraniana, onde, segundo Kiev, cerca de 90.000 militares russos estão concentrados. A Rússia também reuniu um grande número de tropas na região em abril, mas após as críticas da Ucrânia e da NATO sobre uma possível intervenção militar, Moscovo retirou a maior parte dessas unidades.

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