2021-11-04 14:54:00 Jornal de Madeira

Afeganistão: Líder dos talibãs ordena erradicação de adversários infiltrados

 O “líder supremo” dos talibãs, Hibatullah Akhundzada, ordenou hoje que os responsáveis do movimento encontrem e “erradiquem” possíveis adversários infiltrados nas suas fileiras, na sequência de uma série de ataques sangrentos contra o novo regime.   “Todos os anciãos (...) devem inspecionar as suas fileiras e verificar se não há entidades desconhecidas a trabalhar contra a vontade do Governo, para as erradicar o mais rapidamente possível”, disse Hibatullah Akhundzada, numa rara intervenção citada por porta-vozes do Governo. Desde que assumiram o poder, em 15 de agosto, os talibãs têm enfrentado uma onda de ataques realizados pelo braço afegão (EI-K) do movimento ‘jihadista’ Estado Islâmico, também sunita, mas ainda mais radical do que os talibãs. Na terça-feira, pelo menos 19 pessoas, incluindo um alto responsável dos talibãs, morreram num ataque a um hospital militar em Cabul, reivindicado pelo EI. Os talibãs receiam que militantes rivais se tenham infiltrado no movimento, já que, nos últimos tempos, têm recrutado muitas pessoas para a administração do Afeganistão. De acordo com Hibatullah Akhundzada, cada líder de unidade “deve encontrar-se e passar algum tempo com cada um dos seus combatentes para os ajudar no seu trabalho e comportamento”. Ainda assim, avisou, “nenhum combatente deve ser tratado de maneira cruel ou violenta”. O movimento talibã, que vive há mais de 20 anos numa situação de insurgência armada, organiza-se em centenas de unidades e subgrupos pertencentes a várias fações, às vezes em conflito umas com as outras. Na sua função de “líder supremo”, Hibatullah Akhundzada, que vive escondido, é responsável por manter a união e por decidir as principais orientações internas do movimento. Enquanto aguarda um eventual reconhecimento internacional do governo, o movimento islâmico está também a tentar evitar problemas internos, entre os seus militantes. Na semana passada, três convidados de um casamento foram mortos por homens que se apresentaram como combatentes talibãs e que justificaram o ato com o facto de ter sido tocada música durante a festa. O episódio foi condenado pelo Governo. Os talibãs conquistaram Cabul culminando uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO, no país desde 2001.

Pesquisa

Partilhe

Email Netmadeira