Venezuela: Governo e oposição assinam acordos para defender soberania e enfrentar crise
O Governo de Nicolas Maduro e a oposição venezuelana, aliada do ex-presidente do parlamento Juan Guaidó, anunciaram hoje que assinaram dois acordos, sobre a defesa da soberania e a libertação de recursos para enfrentar a crise e a pandemia. Um comunicado conjunto divulgado hoje indica que os acordos parciais “para a ratificação e defesa da soberania da Venezuela sobre a Guiana Esequiba (zona territorial em disputa com a Guiana)” e para a “proteção social do povo venezuelano” foram assinados durante a 2.ª ronda de negociações que decorreram entre 3 e 6 de setembro no México, sob a égide da Noruega. “As partes acordaram em estabelecer mecanismos para a restauração de recursos para atender as necessidades sociais da população, com especial ênfase os efeitos da pandemia da covid-19, incluindo os provenientes de organizações multilaterais aos que a República tem direito”, explicam no comunicado conjunto. Segundo o documento, o Governo venezuelano liderado pelo Presidente Nicolas Maduro e a oposição concordaram que o primeiro ponto de discussão da próxima ronda de negociações será sobre o “Respeito pelo Estado de Direito Constitucional”, em particular “o sistema de justiça e o respeito pela institucionalidade estabelecida na Constituição” da Venezuela. Vão continuar as negociações “sobre a proteção da economia” venezuelana e “medidas de proteção social ao povo venezuelano, incluindo direitos de saque (giro) especiais, previstos para o efeito pelo Fundo Monetário Internacional”. “Foram feitos progressos nos mecanismos de consulta com atores políticos e sociais para que sejam o mais inclusivos possível”, explica o comunicado. No documento, ambas representações agradecem a “facilitação” (mediação) da Noruega, o acompanhamento dos Países Baixos, da Rússia e ao México, país onde decorrem as negociações. “Conseguimos de novo, para além das profundas diferenças que temos (...), das paixões que nada têm a ver com a coexistência política na Venezuela (...) e a prova disso é o resultado dos primeiros acordos desta mesa de diálogo", disse aos jornalistas o presidente da delegação que representa o Governo venezuelano, Jorge Rodríguez, ao finalizar a ronda de negociações. Por outro lado, o representante da oposição Gerardo Bylde, insistiu que o acordo humanitário é o primeiro passo para avançar na agenda de regresso à democracia na Venezuela. Através do Twitter, o líder opositor Juan Guaidó, referiu-se aos acordos parciais, explicando que “o reconhecimento da emergência humanitária complexa e o avanço nos acordos humanitários, vão permitir que cessem os obstáculos para salvar vidas”. “Está claro para nós que a tragédia no nosso país requer não só uma atenção urgente, mas também soluções de base pelas quais estamos a lutar (…) ratificamos o que tem sido a nossa defesa do Esequibo. O exercício da soberania nos deve unir como nação. Continuaremos a avançar para conseguir um acordo integral que permita a recuperação da democracia na Venezuela, através de eleições livres e justas”, escreveu Guaidó no Twitter. A próxima ronda de negociações entre o Governo venezuelano e a oposição terá lugar entre 24 e 27 de setembro, no México.