2021-08-16 17:06:00 Jornal de Madeira

Afeganistão: Reações internacionais dividem-se com chegada dos talibãs ao poder

A comunidade internacional tem reagido de forma diversa à tomada de Cabul por parte dos talibãs no Afeganistão e vão desde a exigência de responsabilidade de líderes afegãos e norte-americanos, mas também com felicitações ao novo poder. ALEMANHA: A chanceler alemã, Angela Merkel, descreveu como “amarga” a situação no Afeganistão e atribuiu a decisão de retirar as tropas norte-americanas e internacionais do país aos Estados Unidos “por motivos de política interna”, entre outros. “Houve um efeito dominó após a retirada das tropas. Sempre dissemos que também ficaríamos se os norte-americanos ficassem”, afirmou durante uma reunião à porta fechada com quadros do seu partido, a União Democrática Cristã alemã (CDU), de acordo com relatos de participantes à agência France-Presse. No entanto, a chanceler expressou uma certa compreensão pela decisão tomada pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, referindo que os EUA pagaram um preço alto em termos humanos no Afeganistão. Além disso, o governo alemão advertiu que o caos no aeroporto de Cabul está a impedir os voos de evacuação de aterrarem e descolarem, numa altura em que são esperados três aparelhos aéreos alemães, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros. REINO UNIDO: No mesmo sentido, o ministro da Defesa britânico, Ben Wallace, culpou o ex-Presidente norte-americano Donald Trump pela atual situação no Afeganistão porque, na sua opinião, o acordo de paz elaborado por Washington em 2020 serviu apenas para “impulsionar” os talibãs. “A sorte foi lançada quando Trump fechou esse acordo. Biden herdou um impulso, o impulso que foi dado aos talibãs porque eles acreditaram que tinham ganho [a guerra]. As sementes do que está a acontecer agora foram plantadas antes de Biden assumir o cargo. As sementes foram um acordo de paz que foi imposto à pressa, não foi feito em colaboração com a comunidade internacional”, considerou em entrevista à rádio BBC. RÚSSIA: O enviado especial do Presidente russo para o Afeganistão, Zamir Kabulov, disse hoje que o Presidente afegão, Ashraf Ghani, “merece ser julgado” pelo povo afegão por ter fugido do país. “Ele não abandonou [o Afeganistão], fugiu. E fugiu da forma mais vergonhosa. Mas o que realmente aconteceu: foi eleito de forma duvidosa, governou mal e terminou de uma forma vergonhosa. Não tenho outra forma de definir esta pessoa. Merece ser julgado pelo povo afegão”, afirmou ao canal de televisão Zvezda, do Ministério da Defesa russo. No entanto, numa outra entrevista com a estação televisiva Rossiya 24, Kabulov disse que Moscovo não duvida da capacidade dos talibãs para chegar a acordos. “Se comprarmos a capacidade de chegar a acordos, os talibãs há muito que me parecem mais capazes de chegar a acordos que o governo fantoche de Cabul”, vincou. HAMAS: O movimento islamita palestiniano Hamas felicitou hoje os talibãs por terem recuperado o controlo de Cabul e grande parte do Afeganistão, o que qualificou como uma “vitória” contra os Estados Unidos após duas décadas de guerra. Em comunicado, o Hamas felicitou “o movimento talibã e a sua corajosa liderança por esta vitória, que foi o culminar da sua longa ‘jihad’ (guerra santa) nos últimos 20 anos” e desejou “sucesso ao povo muçulmano afegão e à sua liderança em alcançar unidade, estabilidade e prosperidade” para o país. EUA: Por outro lado, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, assegurou hoje que o Presidente norte-americano, Joe Biden, não considerava “inevitável” que os talibãs controlassem Cabul após a retirada das tropas e culpou as forças afegãs por não quererem defender o país dos insurgentes. Sullivan afastou as críticas de Biden e acusou as forças afegãs de “não darem um passo em frente” para defender o país, apesar dos “milhares de milhões de dólares” fornecidos por Washington em treino e equipamento militar, considerando ainda como correta a decisão da retirada do Afeganistão. “A questão que o Presidente enfrentou em abril é se devíamos enviar homens e mulheres dos EUA para uma guerra civil noutro país quando o seu próprio Exército não luta para os defender. E a resposta a essa pergunta é não”, sublinhou.

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