2021-07-16 08:51:00 Jornal de Madeira

Igreja Católica pede a venezuelanos que dialoguem para bem da sociedade e do país

A Igreja Católica da Venezuela voltou quinta-feira a apelar aos setores políticos venezuelanos que dialoguem para resolver as suas diferenças para resolver os problemas dos cidadãos, pelo bem da sociedade e do país. O apelo foi feito pelo cardeal Baltazar Porras durante uma conferência de imprensa, num momento em que as autoridades católicas da Venezuela realizam uma reunião extraordinária para analisar a crise venezuelana e os violentos confrontos entre grupos criminosos e as forças de segurança, ocorridos na semana passada em Caracas. “Devemos pensar primeiro nas pessoas, e sem isso, se não houver capacidade para negociar, para nos sentarmos com o outro, apesar de todas as diferenças, o que estamos a fazer é afundar ainda mais quem está mais necessitado de liberdade, de paz, da não utilização nem abuso da violência, do que estamos a ver neste momento”, disse. Segundo a Igreja Católica venezuelana “é necessário, mesmo no meio de todas as diferenças e de todas as acusações que uns podem fazer contra os outros, pensar que o bem do povo e do nosso país só pode ser construído sentando-se à mesa, não para tirar uma fotografia, mas para avançar nos caminhos de paz e progresso de que todos precisamos”. “Esta realidade venezuelana, que nos preocupa, também faz parte da nossa própria existência. Pedimos respeito pela vida de todos e que se respeite a capacidade de exprimir uma opinião ou de falar (…) é necessário negociar, conversar, encontrar pontos de contacto para o bem, a paz e a felicidade de todos, a esperança que queremos todos os venezuelanos”, frisou o cardeal. Pelo menos 22 pessoas faleceram e outras 28 ficaram feridas durante violentos confrontos entre grupos criminosos e as forças de segurança, registados na semana passada na zona oeste de caracas. Os confrontos ocorreram depois de Leonardo José Polanco Angulo, do grupo criminoso “Loco Leo” (que controla dois grandes bairros a sudoeste de Caracas) ter ficado ferido durante um confronto com a polícia. Os elementos dos gangues decidiram tomar os acessos às localidades de El Paraíso, Santa Rosalia e El Cementério (a oeste), e dispararam em direção à autoestrada norte-sul, deixando dezenas de motoristas imobilizados, com as suas viaturas, dentro dos túneis de El Cementério. O Governo venezuelano acusou a oposição de apoiar “grupos extremistas e paramilitares” e de, com o apoio da Colômbia, tentar criar instabilidade no país para afastar o Presidente, Nicolás Maduro, do poder. Por outro lado, a oposição acusa o regime de ter laços com os grupos paramilitares colombianos e de ter armado os grupos criminosos que hoje tentam controlar áreas do país e da cidade de Caracas. Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas tentarem, sem sucesso, deter o líder político opositor Juan Guaidó. Acabaram por deter, entretanto, o ex-vice-presidente do parlamento, o oposicionista Freddy Guevara. Segundo o Ministério Público da Venezuela Freddy Guevara será acusado dos crimes de “atentado contra a ordem constitucional, associação para cometer um crime e traição à pátria”, adianta-se. Entretanto, um tribunal de Caracas ordenou, quinta-feira, a prisão preventiva de 25 cidadãos, um deles menor de idade, por alegadamente estarem relacionados com os violentos confrontos. Segundo o Supremo Tribunal de Justiça os detidos vão ser acusados do crime de associação para cometer delito, uso de adolescente para cometer delito, terrorismo, tráfico ilícito de armas, resistência à autoridade e encobrimento.

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