2021-07-08 05:00:00 Jornal de Madeira

Presidente assassinado a tiro
e país em estado de sítio

O assassínio ocorre dois meses antes das eleições presidenciais e legislativas convocadas para o próximo dia 26 de setembro, às quais Moise não se poderia candidatar. Haiti carlasousa@jm-madeira.pt Numa altura em que o Haiti ainda tenta recuperar do devastador terramoto de 2010 e do furacão Matthew em 2016, tem agora em mãos uma outra ‘dor de cabeça’. O Presidente Jovenel Moise foi assassinado na madrugada de ontem na sua casa por um comando formado por elementos estrangeiros, anunciou o primeiro-ministro interino, Claude Joseph, que já declarou o estado de sítio no país. A mulher do Presidente foi ferida no ataque e hospitalizada, precisou Joseph, apelando à população para manter a calma e indicando que a polícia e o exército assegurarão a manutenção da ordem. Joseph condenou o que designou de “ato odioso, desumano e bárbaro”. O Haiti, a nação mais pobre do continente americano, regista problemas económicos, políticos, sociais e de insegurança, nomeadamente com raptos para a obtenção de resgates realizados por gangues que quase sempre ficam impunes. Os conflitos entre gangues causaram dezenas de mortos e feridos e pelo menos 17.000 deslocados desde o início de junho, devido aos confrontos em bairros como Martissant e Delmas. A República Dominicana já encerrou a sua fronteira com o Haiti e o Presidente dominicano, Luis Abinader, ordenou o reforço da vigilância na área, segundo um responsável do Corpo Especializado de Segurança de Fronteira Terrestre (Cesfront). O Conselho de Segurança da ONU mostrou-se “profundamente chocado” com o assassínio do chefe de Estado do Haiti e vários líderes mundiais condenaram o ‘ato odioso’ perpetrado contra Jovenel Moise. O Haiti convocou para 26 de setembro eleições presidenciais e legislativas, às quais Moïse não podia ser candidato. FOTO DR

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