2021-07-05 18:12:00 Jornal de Madeira

Relatório revela "deterioração alarmante" da liberdade de imprensa na Eslovénia

A liberdade de imprensa deteriorou-se “de forma alarmante” na Eslovénia desde que o primeiro-ministro, Janez Jansa, voltou ao poder em março de 2020, segundo um relatório publicado hoje pela ONG Resposta Rápida à Liberdade de Imprensa. A organização não-governamental (ONG) eslovena acusa o Partido Democrático Esloveno (SDS, na sigla em esloveno) de seguir uma estratégia para censurar o jornalismo crítico, remodelando o panorama dos meios de comunicação social para divulgar notícias pró-governamentais. Uma narrativa que foi reforçada por uma rede de meios de comunicação pró-governamentais, financiados por membros do SDS, acrescenta a ONG. "Publicam artigos de opinião racistas e homofóbicos e dedicam-se à difamação e ataques pessoais a jornalistas destacados e políticos da oposição eslovena", disse Laurens Hueting, do Centro Europeu para a Liberdade de Imprensa e Meios de Comunicação Social. Hueting defende que o Governo esloveno utiliza os meios de comunicação social para “insultar e rebaixar” os jornalistas "com quem discorda”, sendo que os principais alvos, segundo o próprio, são as mulheres, que sofrem insultos misóginos e sexistas. "As mulheres jornalistas têm sofrido desproporcionadamente com esta crescente hostilidade. Estamos a deparar-nos com algumas histórias realmente desoladoras", sublinhou. De acordo com o relatório, o SDS e o Gabinete de Comunicação do Governo esloveno propuseram-se a "sufocar financeiramente" a Agência de Imprensa Eslovena (STA, na sigla em inglês), nos últimos nove meses. Jamie Wiseman, do Instituto Internacional de Imprensa, descreveu a agência como "uma artéria chave" para o ecossistema dos meios de comunicação que, se cortada, "mata a circulação de todo o sistema". Wiseman acrescentou que "até que um contrato de financiamento sustentável seja assinado e até que os tostões sejam colocados no papel, a sobrevivência da STA e do seu serviço público continuará em perigo". Os ataques à agência noticiosa eslovena fazem lembrar a estratégia utilizada pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que tem um "efeito muito negativo" tanto na confiança nos meios de comunicação, como no sistema democrático, disse a diretora da Federação Europeia de Jornalistas, Renate Schroeder. "Exortamos o Governo esloveno a reconhecer o papel do jornalismo independente e da reportagem crítica na posse do poder de prestar contas em qualquer sociedade democrática", disse Tim Schoot Uiterkamp, da Free Press Unlimited. O relatório apela a uma série de medidas para travar a deterioração da liberdade dos média e, consequentemente, para estabelecer salvaguardas institucionais mais fortes contra interferências políticas, tais como órgãos de supervisão.

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