Tajiquistão mobiliza 20 mil reservistas para proteger fronteira com Afeganistão
O Presidente do Tajiquistão, Emomali Rakhmov, ordenou hoje a mobilização de 20 mil reservistas para reforçar a proteção da fronteira tajique com o Afeganistão, em reação a uma ofensiva talibã registada durante a madrugada perto da zona fronteiriça. “Tendo em conta a deterioração da situação política nas regiões ao longo da fronteira entre o Afeganistão e o Tajiquistão, o chefe de Estado ordenou (…) que sejam tomadas medidas concretas para garantir a segurança do Estado”, informou o gabinete de comunicação de Emomali Rakhmov, citado pela agência russa Interfax. O líder desta antiga república soviética da Ásia Central ordenou, entre outras medidas, que o Ministério da Defesa avançasse com a mobilização e o envio de 20 mil soldados na reserva para a zona de fronteira. Emomali Rakhmov decretou igualmente que qualquer tentativa para atravessar ilegalmente a fronteira tajique, nomeadamente aquelas que estejam relacionadas com o crime internacional, terrorismo, extremismo ou com o tráfico de drogas, deve ser travada. Hoje de madrugada, 1.037 militares afegãos foram forçados a transpor a fronteira tajique e a procurar refúgio no “país vizinho” na sequência de uma ofensiva do movimento talibã, segundo informou a guarda fronteiriça do Tajiquistão. Os militares afegãos fugiram de vários distritos da província de Badakhshan, cujo controlo foi assumido pelos talibãs, e foram recebidos no Tajiquistão com base "no princípio da boa vizinhança e da não ingerência”, indicou ainda a guarda fronteiriça. Emomali Rakhmov conversou hoje, via telefone, com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, que manifestou a disponibilidade de Moscovo para apoiar as autoridades de Dushanbe (capital do Tajiquistão), tanto a nível bilateral como no âmbito da aliança pós-soviética da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC). O exército norte-americano e a NATO estão prestes a terminar o seu envolvimento no Afeganistão, quase 20 anos depois dos atentados de setembro de 2001 nos Estados Unidos, que estão na origem da presença militar estrangeira no território afegão e da guerra então desencadeada. Desde o início da retirada final das tropas estrangeiras em maio, os talibãs intensificaram as ofensivas em todo o país, assumindo o controlo de dezenas de distritos rurais, enquanto as forças de segurança afegãs consolidaram a sua presença nas grandes cidades.