Perto de 400 deputados cercados por militares em Myanmar
De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), cerca de 400 deputados estão impedidos de deixar a sua residência governamental, em Naypyidaw, capital de Myanmar, um dia depois do golpe de Estado conduzido por militares e da detenção da líder de facto do país, Aung San Suu Kyi. Segundo contou à AP um deputado, o edifício onde se encontra continua cercado por militares e que há polícias dentro das instalações. O parlamentar mais revelou que pela sua segurança e pediu o anonimato, mais informando que os políticos, a maioria da Liga Nacional para a Democracia (LND), o partido de Aung San Suu Kyi, passaram a noite sem conseguir dormir, com medo de serem presos. "Tivemos de ficar acordados e alerta", contou. "Temos alimentos, mas não podemos sair das instalações, por causa dos soldados", disse outra deputada. Recorde-se que as detenções e o golpe de Estado militar ocorreram no mesmo dia em que o parlamento eleito nas anteriores eleições se preparava para iniciar a sua primeira sessão. O Exército de Myanmar declarou na segunda-feira o estado de emergência e assumiu o controlo do país durante um ano, após a detenção da chefe de facto do Governo, Aung San Suu Kyi, do Presidente do país, Win Myint, e de outros líderes governamentais. Para justificar o golpe de Estado, imediatamente condenado pela comunidade internacional, os militares asseguraram que as eleições legislativas de novembro passado foram marcadas por “enormes irregularidades”, o que a comissão eleitoral nega.