OMS preocupada com restrições da UE a exportações de vacinas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou-se, hoje, muito preocupada com as restrições da União Europeia à exportação de vacinas para a covid-19. "É muito preocupante quando qualquer país ou bloco começa a restringir a movimentação de bens de uso público", afirmou a vice-diretora geral da OMS Mariângela Simão, na habitual videoconferência de imprensa da organização, a partir da sede, em Genebra. No entender da responsável, estas medidas não vão beneficiar a "saúde global", e em particular os mais pobres. Recorde-se que Comissão Europeia adotou hoje um mecanismo de controlo das exportações de vacinas para a covid-19 no espaço comunitário para assegurar que as doses contratualizadas pelas farmacêuticas cheguem o mais rápido possível aos Estados-Membros da União Europeia. Na origem desta decisão está o anúncio da farmacêutica britânica AstraZeneca de que estaria em condições de garantir apenas um quarto das doses contratadas pela União Europeia. A partir de sábado, as farmacêuticas que queiram exportar doses de vacinas contra a covid-19 terão que pedir autorização ao respetivo Estado-Membro. "O que nos preocupa é o impacto destas restrições nos mais pobres", afirmou o epidemiologista e consultor sénior do diretor-geral da OMS, Bruce Aylward, assinalando que os países mais pobres "estão em grande desvantagem" no acesso às vacinas, por falta de recursos económicos, comparativamente aos mais ricos, que "conseguem encontrar alternativas".