2020-12-10 16:09:00 Jornal de Madeira

Marinha russa anuncia primeiros exercícios militares com países da NATO em dez anos

A Marinha russa anunciou hoje que participará em 2021 em exercícios militares com a NATO, nomeadamente com os Estados Unidos e Reino Unido, as primeiras manobras com países membros da Aliança Atlântica em 10 anos. Num comunicado, os serviços de imprensa do distrito militar sul confirmam a participação do exército russo nos exercícios AMAN-2021, previstos para fevereiro desse ano ao largo da costa do Paquistão. As manobras militares contarão com a presença de 30 países, em que 10 enviarão navios e os restantes como observadores. No comunicado, a frota russa do mar Negro refere que a Marinha juntar-se-á à de três países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) – Estados Unidos, Reino Unido e Turquia -, bem como à da China, Paquistão e Japão, entre outros. A Aliança Atlântica adiantou à agência noticiosa France-Presse (AFP) que não se trata de manobras conjuntas. “A NATO não tem previsto exercícios militares com a Rússia. A nossa cooperação continua suspensa desde a anexação ilegal da Crimeia [península da Ucrânia tomada pela Rússia] em 2014”, declarou o porta-voz da Aliança Atlântica, Oana Lungescu. As últimas manobras militares marítimas que envolveram a NATO e a Rússia remontam a 2011, quando um submarino russo participou no exercício “Bold Monarch 11” no mar Mediterrâneo. A Marinha russa integrou também pequenos exercícios comuns com a Turquia, país que integra a NATO, com quem mantém laços cada vez mais próximos. As relações entre a Aliança Atlântica e Moscovo estão ao nível mais baixo desde que 2014, depois de a anexação russa da península ucraniana da Crimeia ter sido condenada pelos países ocidentais. Desde então, Moscovo acusa regularmente a Aliança Atlântica de reforçar a sua presença ao longo das suas fronteiras, sobretudo nos países bálticos ou na Polónia. Num relatório divulgado na semana passada, a NATO considerou, por seu lado, que a Rússia continuará a constituir “a primeira ameaça militar para a Aliança Atlântica até 2030”.

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