Espanha vive drama das ocupações legais
A pandemia está a pôr a nu um fenómeno que está a deixar milhares de proprietários desesperados em Espanha. Muitas habitações estão a ser invadidas e destruídas por estranhos. Ocupam as casas e espalham o medo pela vizinhança. De acordo com a reportagem publicada ontem pelo Jornal de Notícias (JN), os 'invasores' "entram por janelas ou portas, mudam as fechaduras e instalam-se numa casa da qual os proprietários estão ausentes. Se a ocupação não for detetada nas primeiras 48 horas, só poderão ser desalojados quando um tribunal o ordenar, por muito que os legítimos proprietários reclamem. E há ainda os que chamam a Polícia para os "proteger" das abordagens dos donos, de quem chegam a apresentar queixa por assédio, invasão de propriedade ou direitos de imagem". Apesar de o fenómeno não ser novo, ganhou mais força sobretudo no confinamento, altura em que muitos abandonaram temporariamente as suas casas. Ao JN, Urbano Rafael Valle, que gere a plataforma "Stop Okupas" no Facebook, criada para dar apoio às vítimas de ocupação, conta que [eles] ocupam as casas e roubam o que está no interior. Aconteceu com muitos profissionais de saúde, durante a pandemia, que tiveram de ficar a dormir nos hospitais ou em quartos alugados. Também tocou a idosos que, durante o confinamento, se mudaram temporariamente para casa dos filhos". O responsável diz ainda que, por outro lado, que, "na maioria dos casos, os proprietários continuam a pagar a água, a eletricidade, os impostos e a própria prestação bancária, por uma casa que é sua, mas está ocupada por outros". Desde que fundou a plataforma, Urbano Rafael Valle conta que foi tomando contacto com ainda mais casos e percebendo melhor o modo de atuação dos 'okupas'. Sobretudo, porque a lei distingue a ocupação de uma casa desabitada de uma habitação permanente ou mesmo segunda habitação. "Muitos tentam argumentar que as casas que ocupam estavam abandonadas. Por isso quando se instalam deitam todos os bens dos proprietários para a rua, televisões, roupas, móveis. A ideia é tentar demonstrar que a casa estava desabitada e insalubre", explicou ao JN.