2020-08-13 18:35:00 Jornal de Madeira

Israel e Emirados falam de "dia histórico" e "vitória da diplomacia"

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, classificou o estabelecimento de relações diplomáticas com os Emirados Árabes Unidos, hoje anunciado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, como um "dia histórico", enquanto Abu Dhabi disse tratar-se de uma "vitória" da diplomacia. "Yom histori (dia histórico)", escreveu Netanyahu, em hebraico, na rede social Twitter, comentando a declaração de Donald Trump sobre a normalização de relações entre Israel e os Emirados e Israel. Segundo Trump, a iniciativa hoje anunciada faz parte do plano de paz norte-americano para o Médio Oriente. O príncipe herdeiro de Abu Dhabi salientou que o acordo inclui o fim da anexação israelita de novos "territórios palestinianos". "Numa ligação entre o Presidente Trump e o primeiro-ministro Netanyahu, um acordo foi alcançado para encerrar qualquer anexação adicional de territórios palestinianos", escreveu o xeque Mohammed bem Zayed Al Nahyane, também no Twitter. Opinião contrária foi já expressa pelo porta-voz do Hamas, que acusa os Emirados de "esfaquearem" os palestinianos pelas costas, ao chegar a acordo com Trump e Israel, enquanto a Autoridade Palestiniana fez duras críticas ao arranjo. Hanan Ashrawi, que reagiu também no Twitter em nome da Autoridade Palestiniana, considerou que "Israel foi recompensado por não declarar abertamente o que tem feito à Palestina de forma ilegal e persistente desde o início da ocupação". Os Emirados Árabes Unidos saíram da sombra das "negociações secretas e normalização com Israel", acrescentou Ashrawi. A dirigente do Comité Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) referiu-se ainda à longa ocupação israelita do território palestiniano, que começou em 1967. “Que nunca experimentem a agonia de terem o seu país roubado; que nunca se sinta a dor de viver em cativeiro sob ocupação; que nunca testemunhem a demolição de sua casa ou o assassínio dos seus entes queridos. Que nunca vendam os teus ‘amigos’”, respondeu assim ao xeque dos Emirados Árabes Unidos, que elogiou o acordo nas redes sociais. O movimento islâmico palestiniano Hamas, que controla a Faixa de Gaza, rejeitou o acordo, alegando que “não serve à causa palestiniana de forma alguma”. “Isso encoraja a ocupação (israelita) a continuar, negando os direitos do povo palestiniano e aumentando as agressões contra nós”, afirmou o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem. O Hamas governa a Faixa de Gaza. Por seu lado, os Emirados disseram que o acordo para normalizar relações com Israel foi um “passo ousado” que vai alcançar “uma solução de dois Estados” para o povo palestiniano. “A maioria dos países vai ver isto como um passo ousado para alcançar uma solução de dois Estados, dando tempo para negociações”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Anwar Gargasg, em conferência de imprensa, acrescentando que “rapidamente” os dois países vão proceder à abertura de embaixadas.

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