Mulher infetou mais de cinco mil pessoas na Coreia do Sul
Ao dia de hoje, a Coreia do Sul apresenta mais de 9900 casos positivos de Covid-19, mas a verdade é que os números estão a evoluir favoravelmente: nos últimos 15 dias, a taxa diária de crescimento raramente ultrapassa 1%, o que significa que, salvo um novo surto inesperado, Seul tem aparentemente o surto sob controlo. No entanto, deste país asiático chega o perfeito exemplo da importância das medidas de isolamento social. A complexa situação originada pelo agora conhecido como “Paciente 31” (por ser o 31.º caso confirmado na Coreia do Sul) está a ser olhada como um caso de estudo. A “Paciente 31” tem 61 anos e é uma mulher religiosa - pertence à Shincheonji, Esta doente apresentou sintomas de Covid-19 a partir de 9 de Fevereiro: febre alta e dores de garganta. Consultou dois médicos, que a aconselharam a ficar em casa e fazer análises de despiste ao novo coronavírus. A mulher recusou e continuou a sua vida normal. Almoçou num hotel com amigos, viajou de transportes públicos e táxi, e, mais importante, esteve por duas vezes em sessões da igreja Shincheonji em Daegu. Finalmente, e com o estado de saúde agravado, deu entrada no hospital a 17 de Fevereiro. No dia 18, o teste deu positivo. Quando as autoridades de saúde sul-coreanas começaram a tentar rastrear os contactos próximos desta doente, depararam-se com uma situação calamitosa: identificaram pelo menos 1160 potenciais infetados. A organização religiosa, com relutância, forneceu pelo menos 9300 nomes às autoridades, e 1200 pessoas ligadas à igreja já apresentavam alguns sintomas da doença. À medida que os dias passaram, o cenário mais preocupante confirmou-se, e o número de testes positivos aumentou exponencialmente. No início de março ultrapassou os 5 mil, quase todos relacionados com o caso da igreja Shincheonji. Aliás, para se perceber o alcance do descontrolo, segundo a agência Reuters, mais de 50% dos casos confirmados na Coreia do Sul estão de alguma forma ligados à “Paciente 31” e à organização Shincheonji. Em números: existem cerca de 10 mil casos confirmados, e mais de cinco mil foram identificados com esse foco de transmissão - e é possível que sejam ainda mais.