2019-07-09 16:01:00 Jornal de Madeira

Putin recusa impor novas sanções a Tbilissi por “respeito ao povo” georgiano

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, rejeitou hoje impor novas sanções à Geórgia, após os parlamentares russos terem sugerido essa possibilidade na sequência de novas tensões entre os dois países. “Em relação a todo o género de sanções à Geórgia, não o faria, sobretudo por respeito ao povo georgiano”, afirmou o líder russo durante uma sessão em Ekaterimburgo, a capital dos Urais. A Rússia suspendeu quase totalmente as ligações aéreas com o país do Cáucaso, após protestos violentos contra a visita de um deputado russo que provocaram mais de 240 feridos. O setor turístico georgiano estima que esta medida vá provocar perdas até 715 milhões de dólares (637 milhões de euros) à indústria até ao final do ano, devido aos cancelamentos de reservas de turistas russos. A Geórgia recebe anualmente cerca de 1,4 milhões de turistas russos. Os deputados russos pediram hoje ao Governo para avaliar a aplicação de sanções económicas à Geórgia, em resposta às suas “provocações anti-russas”, incluindo as manifestações em Tbilissi e os insultos de um jornalista do país dirigidos a Putin. “Para restaurar plenamente as nossas relações, não farei nada que o possa impedir”, assinalou o líder do Kremlin, que também retirou importância aos insultos que lhe dirigiu o apresentador georgiano da cadeia privada Rustavi 2. “Antes ninguém o conhecia e agora todos falam dele. Nesse sentido, conseguiu o que queria”, considerou o chefe de Estado russo. Os deputados da Duma russa condenaram hoje os recentes acontecimentos na Geórgia e assinalaram que as ações “das forças radicais” georgianas poderiam conduzir o país a uma degradação mais profunda das relações com Moscovo. A Duma recordou que o Governo russo “tem o direito a impor restrições económicas na Geórgia”. A proposta, que implicaria a proibição da importação de vinho e água mineral georgiana e as transferências bancárias entre os dois países, obteve o apoio de todos os partidos. De acordo com o presidente da Duma (câmara baixa do parlamento), Viacheslav Volodin, em 2018 as transferências bancárias da Rússia para o país do Cáucaso do Sul atingiram 640 milhões de dólares (570 milhões de euros), um número que coincide com os dados do Banco Central da Rússia. Em junho, milhares de pessoas convergiram para o Parlamento da Geórgia em protesto pelas “posições pró-russas” do Governo de Tbilissi. A polícia utilizou balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes que tentaram invadir o parlamento, e os confrontos provocaram 240 feridos. Os protestos refletem os sentimentos anti-russos na Geórgia, que durante a presidência de Mikheil Saakashvili efetuou uma tentativa militar para retomar o controlo da província separatista da Ossétia do Sul, e que implicou uma guerra com a Rússia em 2008. Na sequência do conflito, que implicou a rutura das relações diplomáticas, a Rússia reconheceu a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, outra região separatista da Geórgia, e instalou bases militares nesses territórios. Os protestos de junho foram os mais intensos contra o movimento Sonho georgiano-Geórgia Democrática (Ko-DS, no poder desde 2012). A oposição acusa o esta partido e o líder, o bilionário Bidzina Ivanishvil, de favorecerem os interesses russos.

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