2019-05-21 20:13:00 Jornal de Madeira

Polícia argelina reprime manifestação de estudantes na capital

A polícia de intervenção argelina utilizou hoje gás lacrimogéneo contra milhares de estudantes que se manifestavam em Argel pela 13.ª semana consecutiva contra o regime do ex-Presidente Abdelaziz Bouteflika. Desde 22 de fevereiro que todas as terças-feiras os estudantes universitários e liceais, juntamente com muitos professores, promovem uma concentração no exterior da Universidade Central de Argel para desfilarem em direção à praça da Grande Poste e exigir o afastamento de todos os membros do círculo do poder que se movia em torno de Bouteflika. Os estudantes, que desfilaram sob a palavra de ordem “Não a um regime ladrão e corrupto” e “Liberdade para a Argélia”, depararam-se com um cordão policial que os forçou a alterar o seu percurso habitual e encaminharem-se para outra rua, que conduz à sede do gabinete do primeiro-ministro e do Ministério do Interior. Nessa artéria foram repelidos por um forte contingente policial, que usou gás lacrimogéneo, com alguns estudantes a serem agredidos pelas forças de segurança, disse à agência noticiosa Efe um dos manifestantes. Protestos estudantis também ocorreram hoje em outras cidades, incluindo Oran, Sidi Bel Abbès, Mostaganem, Constantina e na região da Cabília, de maioria berbere. Os manifestantes contestam o “sistema” em vigor no decurso do mandato de Bouteflika, forçado a demitir-se em 02 de abril, incluindo o atual chefe de Estado-Maior das Forças Armadas general Gaïd Salah – designado pelo ex-Presidente em 2004 e considerado o atual homem-forte do país –, e defendem a instauração de instituições de transição provisórias para reformar a Argélia e um “Estado civil e não militar”. Durante um discurso na segunda-feira, Gaïd Salah referiu-se diretamente à principal reivindicação do movimento de contestação, ao considerar que a partida das personalidades que simbolizam o “sistema” herdado de Bouteflika “não é razoável” e mesmo “perigosa”. No atual processo de transição, os estudantes também contestam a realização de eleições presidenciais previstas para 04 de julho, que Gaïd Salah também defendeu na sua intervenção.

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