2019-04-16 15:57:00 Jornal de Madeira

Notre-Dame: Das cinzas à reconstrução, as " fénix" que servem de exemplo

Do incêndio da biblioteca de Sarajevo, ao bombardeamento da Nossa Senhora de Dresden, à explosão da catedral de Cristo Salvador em Moscovo até à Notre-Dame de Paris, muitos foram os monumentos históricos destruídos e depois reerguidos das cinzas. Novamente esta segunda-feira em França e novamente uma Notre-Dame mas, há mais de 100 anos, a 19 de setembro de 1914, a Notre-Dame de Reims, catedral gótica e sede de coroação dos reis de França, foi bombardeada pelos alemães, já depois de ter sido queimada em 1481. As bombas incendeiam a estrutura de carvalho do edifício martirizado, regularmente bombardeado ao longo do conflito. Em 1919, o Estado francês iniciou a reconstrução, graças à ajuda de patronos privados (nomeadamente, a família Rockefeller). A catedral cujas torres vão até aos 81 metros, foi reaberta ao culto em 1938. Uma estrutura mais ligeira constituída por lamelas de betão armado, substitui o antigo ‘esqueleto’. Marc Chagall e Imi Knoebel desenharam os novos vitrais do edifício que a UNESCO classificou como Património Mundial da Humanidade, em 1991. Em fevereiro de 1945, a “Frauenkirche”, emblema da cidade de Dresden, na Alemanha, erguida no século XVIII, desmorona devido a bombardeamento dos aliados. Quase 50 anos passados a montanha de ruínas permanecia no mesmo estado, por falta de dinheiro e vontade política das autoridades comunistas da República Democrática Alemã. Apenas em 1994, cinco anos após a queda do Muro de Berlim, a reconstrução começou, graças a doações que chegaram aos 180 milhões de euros, vindos de cerca de 600 mil pessoas, instituições e empresas dentro e fora da Alemanha. A Nossa Senhora de Dresden, uma joia da arte barroca, foi reconstruída de forma idêntica com 8.400 peças originais e reabriu em 2005. No topo, uma nova cruz forjada pelo filho de um piloto britânico que a havia bombardeado. A Catedral de Cristo Salvador foi construída em Moscovo para celebrar a vitória da Rússia sob o exército de Napoleão. Josef Estaline, que governava então a União Soviética, em 1931, fez explodir a igreja com dinamite. Depois de várias tentativas de construir um palácio soviético, uma piscina gigantesca foi construída no seu local, em 1958. Após o colapso da União Soviética, Boris Ieltsin ordenou a destruição desta construção. Reconstruída em betão entre 1995 e 2000, de acordo com os planos originais, a catedral abriga hoje a sede do Patriarcado Ortodoxo. Por ordem de Hitler, em agosto 1944, os alemães arrasaram a Cidade Velha de Varsóvia. A 17 de janeiro de 1945, quando o Exército Vermelho conquistou a margem esquerda da capital polaca, esta foi destruída em 85%. Foram precisos 10 anos para ressuscitar o centro histórico, graças a ajuda de voluntários que limparam a cidade. As pinturas de Canaletto serviram de modelos para a Cidade Velha, considerada Património da Humanidade, em 1979. A reconstrução do castelo real, decidida em 1970, foi concluída em 1984, graças a doações de todo o país e da diáspora. Construído no final do século XVIII sobre as ruínas de um teatro destruído pelo fogo, o Fenice (fénix em italiano) de Veneza, em Itália, sofreu o primeiro incêndio em 1836. Reconstruído de forma idêntica, reabriu no ano seguinte. Porém, em janeiro de 1996, a ópera foi novamente destruída por um incêndio criminoso. Com o apoio do Estado italiano, da UNESCO e de doadores de todo o mundo, a Fenice foi reconstruída “com’era e dov’era” (como era e onde estava). Depois de um longo litígio, as obras, no valor de 60 milhões de euros, começaram em 2001 e o teatro reabriu em 2003. O mais celebrado teatro lírico espanhol, o Liceo de Barcelona, inaugurado em 1847 nas Ramblas, foi também destruído por um incêndio, a 31 de janeiro de 1994, provocado durante trabalhos de recuperação. Depois de cinco anos de trabalho e 110 milhões de euros, a sala reabriu, com reconstrução idêntica à original. Na noite de 25 para 26 de agosto de 1992, as forças sérvias incendiaram a Biblioteca Nacional da Bósnia e Herzegovina, construída em 1896 num estilo pseudo-mourisco. As chamas pouparam cerca de 300.000 livros dos mais de dois milhões ali guardados. O trabalho de reconstrução do edifício, reduzido a um estado de ruínas, começou em 1996, parcialmente financiado pela União Europeia. A nova biblioteca, próxima do seu estilo original, foi inaugurada em 2014.

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