PSOE deverá ser o mais votado nas eleições espanholas mas terá dificuldade em formar Governo
Segundo todas as sondagens o PSOE deverá ganhar as eleições de 28 de abril próximo em Espanha, mas não é claro se isso lhe vai permitir formar um Governo estável que ponha fim a quatro anos de instabilidade política. “Uma coisa é que o PSOE ganhe e outra, completamente diferente, é se vai poder governar”, disse à agência Lusa o professor de Direito na Universidade Europeia Jorge Sánchez, acrescentando que “a situação política é complexa e confusa”. As sondagens publicadas nas últimas semanas indicam a vitória do Partido Socialista Operário Espanhol, com cerca de 30% dos votos, seguido do Partido Popular (PP, direita), que baixaria para menos de 20%. Os analistas alertam para o facto de 40% dos entrevistados, que afirmam que irão votar, ainda estarem indecisos sobre o partido que vão escolher, o que dificulta o trabalho de quem analisa as várias opções pós-eleitorais. Os socialistas conseguem inverter a tendência anterior que os levou aos 22,7% que tiveram nas legislativas de 2016 e concentram agora o voto útil da esquerda espanhola, ao mesmo tempo que a coligação Unidas Podemos (extrema-esquerda) se “afunda” devido à instabilidade interna em que vive. Uma grande diminuição da votação nesta coligação de partidos, o apoio parlamentar principal dos socialistas no atual Governo minoritário, poderá mesmo fechar a porta à possibilidade de se formar um executivo de esquerda. “Uma grande diminuição no Unidas Podemos (coligação que inclui o Podemos e os ex-comunistas da Esquerda Unida) pode por em causa um governo de esquerda”, disse à agência Lusa o professor em Comunicação Política da Universidade de Navarra Carlos Barrera. Unidas Podemos é a única formação que apoia de forma expressa uma aliança com o PSOE e quanto mais estes dois partidos precisarem do apoio das pequenas formações, principalmente os nacionalistas e os independentistas, maior será o grau de instabilidade de um eventual executivo que poderia repetir o fracasso do atual. Assim, não é de estranhar que os socialistas já tenham começado a “piscar os olhos” ao Cidadãos (direita liberal), que recusa a possibilidade de se coligar com “este PSOE de Pedro Sánchez”, apesar das sondagens indicarem uma possível maioria dos dois, e aposta num Governo com o PP. Esta solução à direita é semelhante ao que aconteceu na Andaluzia em que o Cidadãos governa conjuntamente com o PP que teve de negociar o apoio parlamentar do Vox (extrema-direita) para conseguir a maioria absoluta na assembleia regional. “Seria natural que o Cidadãos chegasse a acordo com o PSOE”, disse o catedrático Jorge Sánchez, que defende que os socialistas apenas irão recusar-se a um compromisso com o PP e o Vox. A maior parte dos analistas considera que uma coligação PSOE/Cidadãos seria a melhor solução para acabar com a instabilidade política, no caso destes dois partidos conseguirem ter a maioria (mais de 176 num total de 350) dos deputados do parlamento nacional. O Cidadãos teria mesmo a chave da governabilidade se viesse a poder escolher entre um executivo de direita (com o PP e o apoio parlamentar do Vox) e outro em coligação com o PSOE. Por outro lado, o PSOE terá mais possibilidades de liderar o futuro Governo espanhol quanto menos a campanha eleitoral for marcada pelo debate sobre a questão catalã. “O ponto débil dos socialistas é a questão catalã, que na reta final da campanha a direita irá levantar”, afirmou Carlos Barrera. Enquanto o Cidadãos e os partidos à sua direita querem “mão dura” no relacionamento com o atual executivo regional independentista, os socialistas apostam no diálogo, que parece não estar a dar muitos frutos, para resolver o problema. Para de alguma forma sossegar os votantes de esquerda defensores da unidade de Espanha, o líder socialista, Pedro Sánchez, esclareceu no último fim de semana que, enquanto o PSOE estiver no poder, “não haverá a independência da Catalunha”, nem qualquer referendo de autodeterminação. “Não é não. Se houver um Governo socialista, não haverá independência na Catalunha, não haverá referendo sobre a independência e não será na Catalunha que se irá despedaçar a Constituição espanhola, isso não vai acontecer”, disse Sánchez. Para a editora-chefe da secção de Opinião do El Mundo, Lucía Mendez, quem converteu o atual primeiro-ministro, Pedro Sánchez, num político “credível” foram os seus adversários, principalmente os líderes do PP, Pablo Casado, e do Cidadãos, Albert Rivera. “Como chefe do Governo, Sánchez tem aparecido como uma pessoa séria e sem dizer as barbaridades e os exageros de Casado e Rivera”, afirmou Lucía Mendez. Para esta jornalista, a “velha guarda” do PSOE “já não existe nem tem um papel político” e Sánchez “pode a partir de agora fazer o que quiser”. Nas eleições de 2016 para o atual parlamento (Congresso dos Deputados), o PP obteve 33,0 dos votos, o PSOE 22,7%, o Unidos Podemos 21,1%, o Cidadãos 13,1% e o Vox 0,2%. Várias sondagens publicadas nas últimas semanas indicam que o PSOE conseguiria ter cerca de 30% dos votos e o PP quase 20%, seguidos pelo Cidadãos e a coligação Unidas Podemos com cerca de 14% e, finalmente, o Vox com cerca de 12%. O primeiro-ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, convocou eleições legislativas antecipadas para 28 de abril, as terceiras em menos de quatro anos, depois de o parlamento ter chumbado a 13 de fevereiro último o seu projeto de Orçamento para 2019. Pedro Sánchez justificou a sua decisão porque “entre não fazer nada”, continuando a governar com o orçamento do chefe do Governo anterior, Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP, direita), e “dar a palavra aos espanhóis”, prefere a segunda opção. A queda do Governo deveu-se principalmente à falta de apoio dos partidos independentistas catalães na aprovação do orçamento para 2019, depois de terem ajudado em junho do ano passado o PSOE a chegar ao poder. “Está tudo em aberto e [a solução governativa] vai depender das várias maiorias possíveis de formar num sistema partidário fragmentado”, resumiu Jorge Sánchez.