2019-04-06 15:28:00 Jornal de Madeira

Milhares manifestam-se contra o presidente na capital do Sudão

Milhares de manifestantes juntaram-se hoje em frente ao quartel-general do Exército do Sudão, num protesto contra o presidente do país, Omar al-Bashir, debaixo de contestação popular há três meses, adiantou a AFP. Em resposta ao apela da Aliança, o movimento que lidera a oposição ao presidente, milhares de sudaneses, segundo relatos de testemunhas, saíram às ruas da capital, Cartum, gritando palavras de ordem como “um exército, um povo”, para exigir a demissão do chefe de Estado Omar al-Bashir, no poder há 30 anos. Segundo a EFE, um grupo de manifestantes conseguiu passar as barreiras de segurança que protegem a sede das Forças Armadas, que fica na zona este de Cartum. O Exército, que protege o edifício, lançou gás lacrimogéneo e granadas na avenida Al Muk Nimr, tentando depois dispersar os manifestantes. Noutros pontos da capital a polícia sudanesa dispersou os manifestantes recorrendo a balas de borracha e gás lacrimogéneo, tendo ainda detido dezenas de ativistas. As forças de segurança alocaram um forte dispositivo em toda a cidade, particularmente nas zonas onde se reuniram mais manifestantes, como a praça Jackson, e nas avenidas que ligam essa zona ao quartel-general do Exército. As pontes que ligam Cartum com as cidades vizinhas, do outro lado do rio Nilo, foram fechadas pelas autoridades. A manifestação foi convocada pela Aliança, coincidindo com o aniversário do levantamento popular de 06 de abril de 1985 que levou à queda do então presidente Yafar al Nimeiri. Omar al-Bashir, que chegou ao poder através de um golpe de Estado em 1989, enfrenta a maior onda de protestos desde que assumiu a presidência. Os protestos iniciaram-se a 19 de dezembro e, nas primeiras semanas, aconteciam todos os dias, mas foram perdendo força devido à repressão violenta e pela entrada em vigor, a 22 de fevereiro, do estado de emergência, que permitiu o julgamento rápido de centenas de ativistas. Os protestos que têm ocorrido desde dezembro contra Omar al-Bashir já causaram pelo menos 50 mortos, estimam a ONU e a oposição sudanesa.

Pesquisa

Partilhe

Email Netmadeira