2019-03-25 17:06:00 Jornal de Madeira

Venezuela: EUA avisam Rússia que não ficarão "de braços cruzados"

O chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, alertou hoje o homólogo russo que os Estados Unidos não ficarão "de braços cruzados" se a Rússia continuar a "exacerbar as tensões na Venezuela". "O secretário de Estado disse ao ministro russo dos Negócios Estrangeiros, [Sergei] Lavrov, que nem os Estados Unidos nem os países da região ficarão de braços cruzados enquanto a Rússia exacerba as tensões na Venezuela", disse o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Robert Palladino, num comunicado emitido após uma conversa telefónica entre os dois governantes. Durante o telefonema, Pompeo disse a Lavrov que "a intrusão persistente de pessoal militar russo para apoiar o regime ilegítimo de Nicolás Maduro na Venezuela poderá fazer prolongar o sofrimento do povo venezuelano, que apoia de maneira esmagadora o presidente interino Juan Guaidó", reconhecido pelos EUA e por mais de cinquenta outros países, acrescenta o comunicado. Pompeo "apelou à Rússia que pare o seu comportamento não construtivo e que se junte às outras nações, entre as quais a maioria esmagadora dos países do ocidente, que querem um futuro melhor para o povo venezuelano". Dois aviões militares russos aterraram no domingo no aeroporto internacional de Maiquetía, o principal da Venezuela e que serve Caracas, informaram meios de comunicação social locais e um legislador opositor. Segundo o diário El Nacional, quase uma centena de militares russos chegaram ao país, com 35 toneladas de material não especificado, sob o comando do major general Vasilly Tonkoshkurov. O motivo da visita não foi revelado, mas Caracas e Moscovo tinham anunciado em dezembro que ativariam grupos de trabalho conjuntos para elevar a capacidade de defesa da Venezuela perante eventuais ataques. A Rússia é um dos principais aliados do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, enquanto os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela após a sua autoproclamação a 23 de janeiro. Cerca de 50 países, incluindo a maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, seguiram a decisão norte-americana e reconheceram Guaidó como presidente interino da Venezuela encarregado de organizar eleições livres e transparentes naquele país. No país, que vive uma grave crise política, económica e humanitária, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.

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