2022-01-31 14:48:00 Jornal de Madeira

Missão portuguesa promete “suar a camisola e honrar a bandeira” em Pequim2022

Os três atletas que vão representar Portugal nos Jogos Olímpicos de Inverno já conquistaram “uma vitória” ao qualificarem-se para Pequim2022, onde prometem “suar a camisola e honrar a bandeira”, garantiu hoje o chefe de missão. Pedro Farromba assinalou que o objetivo dos estreantes Ricardo Brancal e Vanina de Oliveira, em esqui alpino, e José Cabeça, em esqui de fundo, não passa por medalhas, mas por consolidar o projeto de “melhorar edição após edição”, durante a apresentação da missão portuguesa, na sede do Comité Olímpico de Portugal (COP). “Não prometemos medalhas, mas suar a camisola e honrar a bandeira. Há muitos milhares de atletas a praticar desportos de inverno em todo o mundo. O facto de três portugueses atingirem os mínimos [de qualificação para Pequim2022] é, já de si, uma vitória. O país tem as condições naturais que tem...”, lembrou. Natural de Évora, José Cabeça tem “menos de cinco meses de neve na vida”: “Sou alentejano e a última vez que nevou em Évora foi em 2004 e foi só um bocadinho. Não dava para esquiar. Sou tão novo nisto que tenho apenas quatro provas internacionais”, observou. A inexperiência não o demove de querer ser “o melhor português a fazer esqui de fundo”, mas, para já, promete apenas “dar o melhor”, reconhecendo que “um resultado a meio da tabela seria incrível” e que nos próximos Jogos conversará “de maneira diferente”. “Nem fazia ideia de como se praticava. Nos últimos dois meses trabalho com um treinador e a evolução foi incrível. Tentámos fazer o que se demora quatro ou cinco anos a fazer. Não comecei a fazer esqui de fundo porque era giro, mas porque queria ir aos Jogos Olímpicos”, advertiu. José Cabeça é também praticante de triatlo, modalidade em que chegou a integrar a seleção nacional e à qual espera poder regressar um dia, até porque não perdeu a “esperança de ser o primeiro português a ir aos dois [Jogos Olímpicos, de Verão e Inverno]”. Ricardo Brancal, também de 25 anos e com um passado ligado a outra modalidade – o ténis -, aponta a um lugar no ‘top 50’ no maior evento mundial de desportos de inverno, entre 04 e 20 de fevereiro, 14 anos depois de a capital chinesa ter recebido os Jogos Olímpicos de Verão. “Seria bom igualar ou superar Arthur Hanse, que obteve um ‘top 40’ em slalom [36.º lugar, em Pyeongchang2018], mas será difícil, pois o nível que tinha em 2018 é superior ao que tenho neste momento”, admitiu. Enquanto José Cabeça fez um estágio intensivo de dois meses na Noruega e Ricardo Brancal está há dois anos em Itália, para terem melhores condições de preparação, Vanina de Oliveira, de 19 anos, reside em França, o que significa um convívio mais longo com desportos de neve. “Espero representar bem Portugal, mas também divertir-me e aproveitar o momento. O slalom é a minha disciplina favorita e na qual vou tentar um resultado melhor”, afirmou a atleta, cuja mãe é portuguesa. O presidente do COP, José Manuel Constantino, alertou para a “realidade muito severa, porventura, mais severa do que nos Jogos Olímpicos de Verão, em Tóquio", que a comitiva lusa vai encontrar, devido à pandemia de covid-19, assinalando igualmente as dificuldades dos praticantes de desportos de inverno em Portugal.

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