Procura-se novo rei da Europa
A imprevisibilidade tomou conta do Euro2020. Após poucas, ou nenhumas, surpresas na fase de grupos, os oitavos de final do torneio ficaram marcados pela queda dos campeões da Europa e do Mundo. Também crónicos candidatos a títulos e equipas que encantaram nos anos mais recentes tropeçaram. Itália será campeã? Inglaterra? Bélgica? Espanha? Ou serão ‘outsider’? Como ficou comprovado no arranque da fase a eliminar, para já nada é certo. O novo ‘rei’ do velho continente irá emergir a 11 de julho, no icónico Estádio do Wembley, em Londres. Para já o que se sabe é que a final será inédita. Confiança inglesa Pátria-berço do futebol, as expectativas estão elevadas em terras de sua majestade. A Inglaterra aproveitou da melhor forma a vantagem teórica de realizar quase todos os jogos em casa (a visita a Roma nos quartos de final será a única exceção) e segue na prova como a única equipa com a baliza inviolável em quatro jogos. A vitória sobre a Alemanha, adversário historicamente complicado para as cores inglesas, foi o tónico para aumentar os índices de confiança num possível primeiro título ao nível continental. Na teoria, os germânicos apresentavam-se como o oponente mais ‘duro de roer’ no caminho até às meias-finais, todavia convém não menosprezar a nomenclatura dos rivais, de forma a evitar surpresas. Basta olhar para o que tem acontecido. Gareth Southgate parece ter construído uma equipa na verdadeira aceção da palavra, dando-se ao luxo de deixar nomes como Sancho, Foden, Sterling ou Grealish no banco, para o caso de ser necessário o uso de ‘armas secretas’. São, de facto, muitas, e de qualidade, as opções. Para já segue-se a Ucrânia, que após um coro de críticas inicial mostrou que é capaz de ser ‘venenosa’ e infligir um golpe quando menos se espera. Superação e combate Quem vencer o referido duelo terá pela frente Dinamarca ou República Checa, países que já lograram conquistar o Europeu no passado. Tem sido incrível a superação dos jogadores escandinavos que, após o acontecimento quase fatídico com a estrela da equipa Eriksen, estão em crescendo e deveras empolgados após a vitória por números expressivos perante o País de Gales. Já os combativos checos após uma fase de grupos bem conseguida surpreenderam a Holanda e apresentam-se com a moral em alta nos ‘quartos’, com as esperanças a recaírem em Patrick Schick, avançado do Bayer Leverkusen, que corre atrás do título de melhor marcador. Conta já com quatro golos, menos um do que Ronaldo. Desafio cabeça-de-cartaz No outro lado da barricada, o mais complicado, a ‘bella’ Itália vai defrontar a sequiosa Bélgica, no jogo que é considerado por muitos como a final antecipada do torneio, fruto da boa campanha que ambas têm vindo a realizar. Roberto Mancini devolveu a esperança aos italianos, ao resgatar uma equipa que estava em declínio e que falhou a presença no Mundial 2018. Esta é uma Itália renascida, que, sem vedetas, rompeu com os trâmites do passado. O calculismo defensivo, chancela do chamado ‘catenaccio’ – que marcou a estética italiana durante décadas -, parece ter caído no esquecimento e agora luta-se por algo maior e não só pela sobrevivência. A ver vamos como reage perante uma Bélgica, conjunto que rubrica nova tentativa de busca pelo êxito. Esta será uma das últimas oportunidades da geração de ouro dos ‘Diabos Vermelhos’ para alcançar a glória. Frente a Portugal, os belgas deram uma lição de bem defender e de cinismo à boa maneira antiga italiana. É jogo de ‘tripla’, o mais esperado jogo desta fase. Crescimento espanhol Por fim, mas com entrada em campo em primeiro, referir o duelo entre Espanha e Suíça. Apesar das críticas e órfã dos nomes de antologia que conquistaram a Europa e o Mundo, os ibéricos, pé ante pé, têm seguido caminho e já são o melhor ataque da prova com 11 golos. Nesta senda, têm vindo a surgir novos talentos, com o destaque a ir sobretudo para Pedri. As expectativas baixas em relação a Espanha antes do início da prova pode ter sido o gás que a equipa de Luis Enrique precisava para arrepiar caminho, apresentando agora argumentos para serem considerados favoritos perante a Suíça. Helvéticos que assinaram a maior surpresa da prova ao eliminar a superfavorita França. Seguramente o experiente (e poliglota) selecionador Vladimir Petkovic quererá repetir a graça. Os dados estão lançados, venham daí os ‘quartos’. Começa já amanhã. Inglaterra, Itália, Bélgica e Espanha são os principais candidatos ao título, mas a imprevisibilidade não está descartada, algo a que já se assistiu neste Euro2020.