2021-05-30 05:00:00 Jornal de Madeira

Fontes ‘ataca’ Pereira

Rui Fontes, antigo presidente do Marítimo, diz-se agastado pelo facto de o atual presidente maritimista e seu sucessor, Carlos Pereira, insistir em dizer que encontrou um clube falido quando assumiu a presidência verde-rubra. Em declarações à Antena 1 Madeira, o ex-presidente dá a sua versão dos factos, lembrando que o clube ficou sem subsídios do Governo Regional por causa da ideia de criação de um clube único “O que ele (Carlos Pereira) recebeu foi um clube penalizado pelo Governo Regional pelos seus sócios terem rejeitado o clube único. Isso foi o que aconteceu. A partir do momento em que os sócios, numa histórica Assembleia Geral, disseram não ao clube único, o Governo Regional retirou todos os subsídios ao Marítimo e a partir dessa data até eu sair o Marítimo ficou impossibilitado de receber qualquer subsídio do Governo Regional e todos nós sabemos que os apoios do Governo são fundamentais para as despesas do clube. Se nós estivemos oito meses sem receber qualquer verba é natural que a pessoa que chegue ao clube tem toda a gente a reclamar dinheiro, desde os funcionários aos jogadores. uando o dinheiro começa a faltar isto é uma bola de neve e tem repercussões em todos os setores do clube e foi isso que aconteceu. Com a minha saída o Governo repôs a situação e o Marítimo retomou o seu caminho normal”, explicou. Rui Fontes reiterou também que “enquanto estive no clube, nunca ninguém ouviu falar de situações financeiras difíceis”. Já em relação ás conquistas alcançadas pelo Marítimo na altura em que foi presidente, Rui Fontes recordou a relação “difícil” com Carlos Pereira quando este foi vice-presidente para a área do Futebol, no seu primeiro mandato, e concluiu que “o clube decaiu para o que era na década de 80”. “Conseguimos que o Marítimo fosse à Europa no dia em que o sr. Carlos Pereira se demitiu do departamento de futebol. Eu tive tremendas dificuldades em entrar no futebol do Marítimo porque aquilo estava bloqueado… E vejo perfeitamente que o Marítimo voltou aos anos 80 ao nível do futebol, ou seja, decaiu completamente. Portanto, em vez de ter evoluído foi decaindo lentamente e chegou ao ponto onde está atualmente porque enquanto o Marítimo tinha aquela imagem que foi conseguida com o estatuto europeu foi possível ter bons treinadores, foi possível ter estabilidade e foi possível ao Marítimo fazer alguns bons campeonatos. A partir do momento em que perdeu tudo isso, estamos a ver o que está a acontecer”, atirou. Já sobre o futuro do clube, Rui Fontes assegura que tem uma ideia mas recusou a hipótese de se candidatar porque, justificou, “o clube precisa de sangue novo”. “Tenho ideias bem claras sobre o Marítimo, mas julgo que devem ser dadas oportunidades aos mais jovens. No entanto, entendo que o clube precisa de que haja outra lista com novas ideias e que possa avançar com jovens porque o Marítimo tem muitos sócios e muita gente capaz de dirigir o clube. Dirigir o clube não é nenhum bicho de sete cabeças. Para dirigir o clube é preciso ter uma visão daquilo que se quer, o líder tem que ter uma visão para o clube e, depois, rodear-se das pessoas adequadas para cumprir esse objetivo”, sentenciou.

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