Debate ‘aqueceu’ em vários pontos
O primeiro frente a frente entre Rui Alves e Daniel Meneses, tendo em vista as eleições do Nacional, marcadas para 1 de junho, foi ‘quente’ em vários pontos, nomeadamente na constituição de uma equipa de sub-23 e na questão da abertura do clube aos sócios, ideias defendidas pelo candidato Daniel Meneses. Por Daniel Faria e Miguel Guarda Os estúdios da 88.8 JM FM acolheram ontem Rui Alves e Daniel Meneses para o primeiro frente a frente, tendo em vista as eleições do Clube Desportivo Nacional, marcadas para 1 de junho. O presidente Rui Alves começou o debate referindo que as eleições “são uma oportunidade para o trabalho feito ser revisitado”, lembrando o passado do clube. "Quando cheguei mal havia campo para treinar. Alguma vez pensaram que o Nacional adquiria o corpo que adquiriu? Se sair deixo muito património. Somos também o único clube da Madeira com dois quartos lugares, com um melhor marcador na Liga…”, enumerou Rui Alves, referindo que as eleições são “uma oportunidade de reflexão profunda para os sócios”. Já Daniel Meneses, quando questionado sobre o principal propósito da sua candidatura, vincou que o mesmo é “a profissionalização do clube”, acreditando ter “um projeto viável” para o futuro dos alvinegros. Em relação às críticas nas redes sociais, Rui Alves recusou comentar, preferindo vincar o “mérito” e a “matriz identitária” do Nacional, personificada no lema “não há gente como a gente”. O presidente recordou as “duas subidas”, que “fizeram confusão aos concorrentes continentais”, mostrando por isso confiança no futuro. Criticou ainda a candidatura de Daniel Meneses, que “une duas visões distintas do clube”, pois colheu “apoios de Domingos Abreu e do presidente da Mesa da Assembleia Geral”, situação que mereceu críticas de Rui Alves, pois “não é sério agradar aos dois”, pois os votos reunidos pela lista concorrente “serão contra o Rui Alves”. Em resposta, Daniel Meneses vincou que a “candidatura não é contra Rui Alves”, reconhecendo “uma visão transformista” de Rui Alves nos primeiros mandatos. Diretor desportivo divide A primeira questão que realmente colocou divergências mais vincadas entre os dois candidatos foi a do diretor desportivo, relativizada por Rui Alves. “É possível enquadrar diversos modelos de gestão do futebol profissional. Um presidente com maior conhecimento não tem diretor desportivo. O Nacional conseguiu ir à Europa sem diretor desportivo, por exemplo. O candidato precisa de diretor desportivo porque não conhece o fenómeno”, elencou Rui Alves. Em contraponto, Daniel Meneses respondeu ao presidente do Nacional declarando que “quem pensa que é bom em todas as áreas está a cometer um grande erro”, vincando que se pauta pela “humildade” e que representa “um grande grupo” que dá corpo à sua candidatura. No que respeita à elaboração do plantel, Rui Alves admitiu “o risco”, vincando que “o que faltou foi dinheiro”. O presidente realçou que “a resiliência para ultrapassar esta fase” é necessária, lembrando que o “Nacional é altamente profissionalizado”. Depois, em vários momentos, Rui Alves acusou Daniel Meneses de usar “chavões”, que servem mais para “debates políticos”, enquanto Meneses questionou Rui Alves sobre quem era “o principal investidor da SAD”, questão que Rui Alves rebateu para o candidato. “Já agora diga-me quem é, você sabe”, atirou o presidente, num momento tenso. Rui Alves apelou ainda à honestidade intelectual no debate, com Daniel Meneses a pautar-se por uma postura defensiva. 'Adaptado' ´será prioridade Um dos propósitos de Daniel Meneses será a aposta no desporto adaptado, conforme vincou ontem o candidato à presidência do Nacional. “Existe essa grande lacuna e será uma aposta, melhorando não só o desporto como as próprias acessibilidades. Queremos de ano em ano e meio trazer duas modalidades para o clube”, disse Meneses, referindo que quer deixar cair o termo “modalidades amadoras”. “Isso era no meu tempo. Agora as coisas evoluíram. As modalidades são uma fonte de crescimento do clube”, disse Meneses. Por outro lado, Rui Alves olhou para a questão de forma ponderada, referindo que o Nacional “não tem corpo para amadoras de alto nível”. No entanto, declarou que “as amadoras são das melhores da Madeira e não vale a pena ter outras sem ter condições”. O presidente lembrou ainda o projeto do “pavilhão na Choupana” e ainda outro a executar no “Tecnopolo, que consiste no centro de alto rendimento gímnico”. De resto, o debate foi marcado por algumas ‘picardias’, com Meneses a dizer que Rui Alves “era benfiquista”, enquanto o presidente do Nacional ameaçou “mostrar fotografias de vice-presidentes a festejar o título do Sporting”, inerentes à lista de Daniel Meneses. Já em relação ao treinador escolhido para o Nacional - Sérgio Vieira -, Meneses referiu que a lista “assumirá as responsabilidades” das decisões tomadas no clube. “Irregularidades” denunciadas O presidente do Nacional elencou ainda “irregularidades” na lista de Daniel Meneses. Segundo Rui Alves, a lista englobou sócios com as quotas por regularizar. “Verifiquei que alguns subscritores nem tinham as quotas em dia. Juntaram até menores a isso. E mais, o presidente da Mesa da Assembleia Geral nem exigiu fotocópias dos cartões de cidadão para credibilizar as subscrições”, disse o presidente, com Daniel Meneses a contrapor. “Não seja assim”, atirou Meneses, negando as razões elencadas por Rui Alves. FOTOS JM