Europeu proíbe clubes de treinar para os nacionais
São perto de três dezenas de nadadores madeirenses, em representação de clubes como o Clube Naval do Funchal, CD Nacional e CD São Roque, que estão impedidos de treinar nas piscinas da Penteada em vésperas da participação num campeonato nacional. E tudo por causa da realização, na Madeira, do Campeonato da Europa de Natação Adaptada, que ocorre entre os dias 16 e 22 de maio. A indignação dos atletas e dirigentes madeirenses para com os responsáveis associativos é generalizada, porque entendem estar a ser discriminados negativamente por quem devia zelar pelas melhores condições para os seus filiados. Elmano Freitas, treinador do Clube Naval do Funchal, e “homem da natação”, como se considera, acusa, em declarações ao JM, alguns dirigentes de “falta de sensibilidade, afronta e até de falta de cidadania”. A revolta é explicada pelo facto de não haver condições para garantir a melhor preparação dos atletas madeirenses rumo aos nacionais juvenis, juniores e seniores, que acontece no último fim de semana do presente mês, em Rio Maior. Isso, garante o navalista, não foi salvaguardado “por quem de direito”, no caso a Associação de Natação da Madeira. Elmano Freitas até tem alternativas, mas são sempre deficitárias, estabelecendo uma comparação com o futebol, “é como se treinássemos em pelado, para depois jogarmos em relvado”, garantindo que “não faz sentido”, explicando que “no caso do CN Funchal, o clube até possui piscinas mas a questão que deixo é… e os outros?, vão treinar onde?’”, questiona. Aquele responsável, assegura à nossa reportagem, que não está “contra a realização de grandes eventos, sejam eles de que natureza forem, mas é preciso valorizar o trabalho dos atletas regionais”, algo que, afirma, algumas associações desportivas deixaram de fazer, passando “de uma hora para outra, em associações de promoção”, ou seja “desleixaram-se do atleta e das modalidades que representam”, constatou. Nesse sentido, acusa os dirigentes associativos de “falta de sensibilidade, de falta de cuidado e até de afronta por quem se dedica à modalidade de alma e coração”, frisou. Ainda segundo o nosso interlocutor, a realização dos Campeonatos Nacionais já era conhecida, mas optou-se por “não salvaguardar o interesse desportivo regional”. Pelo mesmo discurso vai Vicente Franco. O treinador do Nacional diz que os clubes madeirenses foram desconsiderados, já que “deu-se tudo a quem vem de fora e nós, aqui na Madeira fomos passados para trás. Não se entende, realmente, não se entende”, lamentou. Refere, no entanto, que os nacionalistas até receberam autorização para treinar. Mas questiona o horário curto, entre as 6 e as 7 horas da manhã. “Serve para equipar-se, mergulhar, tomar um duche e sair”, enuncia. “Nem vale a pena”, conclui. Mercês Costa, treinadora do São Roque, também mostrou-se incrédula com a situação. “No mínimo estamos a contar com quatro nadadores nos nacionais, mas não temos local para treinar. Simplesmente estamos impedidos de o fazer e sem alternativas, pelo menos até ao momento”, frisou à nossa reportagem, não escondendo a sua perplexidade com as razões que condicionam o trabalho do emblema sanroquino.