2020-08-01 09:55:00 Jornal de Madeira

Videojogo FIFA em Portugal ganha ‘estrelas’ e aproxima-se aos poucos “das decisões”

O nível competitivo do videojogo FIFA em Portugal, no que toca a equipas e competições organizadas no mercado de esports, vai crescendo e alguns jogadores aproximam-se “das decisões” e do topo mundial, apontam à Lusa membros da comunidade. À Lusa, o primeiro e único campeão do mundo de FIFA português, em 2011, Francisco ‘Quinzas’ Cruz, destaca o papel de alguns jogadores que têm conseguido resultados extraordinários, como Gonçalo ‘RastaArtur’ Pinto e Diogo ‘Tuga810’ Pombo, ambos na TS Warrior Player, que no Mundial de seleções de 2019 chegaram às meias-finais, ficando no ‘top 8’ do FIFA eWorld Cup. “Há cada vez mais gente a jogar e a tentar chegar ao topo, e termos dois jogadores no campeonato do mundo, e este ano teríamos pelo menos um [Diogo Mendes], é algo de louvar, porque estamos muito atrás no que diz respeito a investimento das organizações, olhando para os outros países”, explica o treinador do Sporting, ainda hoje detentor do recorde de campeão mundial mais jovem de sempre, então com 16 anos. O treinador natural da Trofa diz que embora a noção de que “com menos investimento, menos resultados” aparecem, Portugal tem contrariado essa tendência, “muito por mérito de três ou quatro jogadores que têm levado a nossa bandeira pelo mundo fora”. O selecionador nacional de futebol virtual, chamado pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para apoiar os jogadores que representem o país em competições, diz mesmo que Portugal é por estes dias “das melhores seleções a nível mundial”. “O ano passado provámos isso, com a chegada às meias-finais da eNations. Foi um marco muito bom para posicionar a seleção portuguesa de futebol virtual, mas o nível competitivo tem vindo a aumentar, porque há mais investimento por parte de entidades e clubes sérios que fazem bom trabalho, pelo aparecimento da FPF, pelas rotinas que trouxeram, também a Liga de futebol”, lembra Armando Vale. O treinador, que trabalha ainda com uma empresa de produção e organização de eventos da área, lembra que as novas competições “trouxeram um ano de competição”, ao contrário de existirem apenas “algumas competições esporádicas”, o que “deu nova dinâmica ao ano competitivo”. Na opinião do selecionador, “Portugal vai continuar a evoluir”, mesmo que o feito de ‘Quinzas’ “dificilmente se vá repetir”, deixando ainda assim a garantia de que os portugueses vão continuar “mais perto das decisões”. Vale destaca nomes, de Diogo Mendes, que chegou ao quarto lugar do ‘ranking’ mundial Xbox e em 31 de julho ficou livre, e Bruno Rato, do Sporting, a JOliveira10, com outros valores emergentes, como o recentemente coroado campeão nacional, TiagoAraujo10, da FTW. Esta variedade “era impensável há dois anos no cenário competitivo de FIFA”, algo potenciado pelo maior calendário competitivo, que fica mais enquadrado “com o internacional” e prepara os jogadores “muito melhor do que anteriormente”. “Grande parte deles precisa é de competição. Com esse ritmo competitivo, estão em muito melhor forma para quando têm de tentar a sua sorte internacionalmente”, sentencia o selecionador. Armando Vale menciona uma “conjuntura de vários fatores” para o ‘salto’ português, num videojogo em que a evolução parecia ter estagnado: o posicionamento “de alguns jogadores como ‘estrelas’”, a profissionalização de algumas competições, as “empresas de produção que criam em volta do espetáculo e dão as condições necessárias” e o inevitável “investimento dos ‘stakeholders’”, além da aposta de vários clubes. Um exemplo do olhar do futebol ‘tradicional’ para o mercado é a própria TS Warrior Player, que foi criada pelo argentino ex-Benfica Eduardo ‘Toto’ Salvio, que contratou prontamente os dois semifinalistas do Mundial de 2019, mas também a aposta de Sporting, mais antiga, ou de Benfica, que entrou mais recentemente no mercado. No entanto, dezenas de clubes de futebol de norte a sul do país, e dos mais variados graus de competição, dos profissionais às distritais amadoras, apostaram na secção, procurando o novo talento que possa trazer mais visibilidade – e receitas – para os orçamentos. Estes méritos, avança Francisco Cruz, são “ainda mais de louvar” devido aos problemas que o agora ‘team manager’ vê no FIFA, que na sua opinião tem um problema com ‘skill gap’, isto é, com a incapacidade em permitir aos jogadores demonstrarem a diferença de habilidades entre eles. “Se fizermos, por exemplo, o Mundial do ano passado 10 vezes, vamos ter seis, sete, oito campeões diferentes. Ainda existe muita variabilidade. Aspetos psicológicos como a confiança, a concentração contam ainda mais”, refere. Assim, e apesar de o jogo “envolver cada vez valores maiores”, o “progresso da habilidade não acompanha o dinheiro envolvido”, com demasiada inteligência artificial programada nos confrontos para que os jogadores possam demonstrar melhor o seu valor. “Outra das coisas de que nos queixamos muito são os servidores da EA, que para a quantidade de pessoas que joga o jogo e põe dinheiro no jogo, são muito, muito fracos, e por vezes interferem com a qualidade do jogo”, aponta ainda ‘Quinzas’. O campeão do mundo refere que a possibilidade de garantir mais visualizações durante o período de confinamento devido à pandemia de covid-19, que aconteceu a nível global, acabou por ser gorada devido à incapacidade de organizar competições de alto nível ‘online’, por receios com a qualidade do jogo.

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