Fábio Fernandes representou a Madeira no Ironman na África do Sul
Foi por dois minutos que Fábio Fernandes, de 36 anos, falhou a qualificação para o Iroman World Champions Hawai 2019. O triatleta foi o único madeirense a tentar o apuramento para esta competição, tendo tentado alcançar esse objetivo na África do Sul, que acolheu uma das provas de triatlo mais exigentes do mundo. A organização desta prova, que compreendia 3.800 metros de natação, 180 km de ciclismo e 42.2 km de corrida, foi obrigada a reduzir distâncias por forças das condições climatéricas adversas que ameaçaram adiar a prova, sobretudo ao nível do vento e da ondulação. O segmento de natação foi reduzido para 1900 metros, mas dois participantes acabaram por perder a vida quando tentavam realizar a distância. Depois de concluir o segmento de natação no 35.º posto, Fábio Fernandes fechou com um meritório 10.º lugar os 180 km de bicicleta. Tudo estava bem encaminhado, até porque a corrida constituía a disciplina em que se sentia mais preparado. Ao km 21, o triatleta foi forçado a diminuir o ritmo devido a câimbras e dores musculares, vindo a terminar em 20.º entre os 273 participantes da sua categoria, e como 73.º colocado da geral (competiram 1766 aletas), sendo o melhor português. Fábio Fernandes vivia em Caracas, Venezuela, com a mulher e três filhos, quando decidiu dar uma grande volta na sua vida, optando por seguir um estilo de vida mais saudável e depois de ter perdido uma pessoa muito próxima. Sente-se muito orgulhoso pela decisão que tomada, pois acabou por refletir-se positivamente no seu meio familiar. “A minha filha mais nova avançou incrivelmente na natação, e a mais velha, e com toda a naturalidade, antes de sair de casa, leva sempre a bolsa para treinar sem que lhe diga algo. Desde há muito que sempre que acordam, a primeira coisa que constatam à porta de casa são sapatilhas cheias de tierra, porque o pai madrugou para treinar, e isso marca as suas vidas”, conta Fábio, sem esconder a emoção que sente refletor pelos seus actos. Desde que abraçou este mundo, para o qual são necessários 21 dias para criar um hábito que assegura muitos anos de vida, o triatleta tentou entrar na federação venezuelana, mas como só se deparou com pessoas que queriam aproveitar-se para sacar dinheiro através do Cadivi, acabou por colocar de lado essa intenção. Depois de regressar à Madeira, juntamente com sua família, ficou a saber que podia ser federado por um clube de corrida e por outro de triatlo, com todos os seguros. As condições que encontrou na Madeira são excelentes para quem quer seguir este estilo de vida desportivo. Fábio vai continuar a treinar no duro para voltar a participar em provas de triatlo, sendo que espera voltar à África do Sul para tentar a classificação para o mundial no Hawai. Mas não deixa de notar que há uma falta de interesse e de apoio por parte das autoridades públicas. O triatleta tem sido obrigado a limitar a sua presença em competições pois não recebe ajuda económica ou de patrocínio, dado que este deportes não é dos mais valorizados na Região.